Iran to India - our overland journey from Tehran to Delhi

Delhi, 26 de Maio de 2013

Chegamos em Delhi, destino final da nossa aventura por terra do lran ate a lndia.

Foram quase 6.000 Km intensos de muita adrenalina desde que partimos de Tehran, cruzando toda a Asia Central ate chegar no sub-continente indiano.

Pegamos trens, taxis, 4x4s, onibus locais e ate carona em caminhão para conseguirmos chegar ate aqui sem pegar um unico voo.

Foi uma verdadeira gincana contra o tempo e contra a burocracia para conseguir todos os vistos, permissos e poder cruzar por terra todas as fronteiras que planejavamos cruzar, um grande desafio,

Testamos quase todos os nossos limites fisicos e psicológicos combinados com muita paciencia, sangue frio e determinacao.

Passamos por 9 paises diferentes, cruzamos as estradas mais altas do mundo nos Pamirs, Karakoram e Hindu Kush. Desertos, rios, passes de quase 5.000m de altura, vales exuberantes e antigas rotas historicas, temperaturas negativas e tambem calor infernal.

Em cada lugar que passamos fomos surpreendidos pela hospitalidade e generosidade do povo local.

Fizemos muitos amigos anônimos dos quais sentiremos muita falta e aprendemos com eles muitas novas licoes.

Desmitificamos os "temidos" Iran, Afeganistão e Paquistao, paises incriveis com pessoas maravilhosas onde nos sentimos mais seguros que em nossas proprias cidades.

Um agradecimento especial a todos os motoristas locals "casca grossa" que nos guiaram com muita seguranga por algumas das estradas mais perigosas do mundo.

E também as nossas namoradas, amigos e familiares que aguentaram firme e com o coração na mão  todos esses dias de comunicação precaria. Um beijo e abraço a todos e ate a próxima.

Raul e Lorenzo

Overland journey from Iran to India: 

Iran - Turkmenistan - Uzbekistan - Tajikistan- Afghanistan - Kyrgyzstan- China - Pakistan - lndia

Sossusvlei, Namibia









Situado no meio do deserto de Kalahari entre gigantescas dunas de areia o Sossusvlei é a principal atração da Namibia.

Formando uma paisagem surreal, as dunas alaranjadas do Sossusvlei são as mais altas da África e estão em constante movimento. 

Dentro do complexo de dunas está também o Deadvlei, ou Vale da Morte, que mais parece uma tela do Salvador Dali.

Encontram-se ali numa pequena panela, em meio as dunas, muitas árvores petrificadas de mais de 900 anos que devido a falta de umidade nunca conseguiram se decompor. 

A melhor hora para visita-las é no nascer do sol, quando a luz cria um incrível contraste de cores entre as dunas.

Há muitas opções de hospedagem na região que variam de simples acampamentos até lodges mais sofisticados.

Dentre os melhores, está o Sossusvlei Desert Lodge que fica dentro de uma reserva privada bem próximo a entrada do parque.

A melhor maneira de se chegar lá é voando até Windhoek via Johannesburg com a South African. De Windhoek há vôos diretos para lá em pequenas aeronaves. 

Não é preciso visto de entrada para brasileiros e a melhor época do ano é de Junho a Setembro, inverno no hemisfério sul.




Mali - West Africa









































Mali
A idéia de conhecer o Oeste da África sempre me despertou muito interesse e curiosidade. A proposta era fazer uma viagem de 4x4 pelo Mali percorrendo todas as regiões do país. Consegui achar o companheiro ideal o meu amigo Lorenzo Madalosso (mais conhecido como “Cabeza de Vaca”) que como eu já havia viajado por terra em outras regiões remotas do planeta.

O Mali é considerado a jóia do Oeste da África um destino muito especial que possui uma rica variedade de atrações. O país ocupa o coração de um território que já abrigou antigos impérios e civilizações.

Encontrei o Lorenzo em Paris e de lá voamos para Bamako a capital do país onde iniciamos a nossa viagem. Cortada pelo Níger um dos rios mais longos da África Bamako é uma cidade vibrante com bons restaurantes, hotéis, vida noturna agitada e grandes mercados de rua.

As estradas do Mali estão em boas condições e apesar de estreitas são muito vazias. Partimos de Bamako e fomos em direção a Djenné uma das principais atrações do Oeste da África. A estrada corta vilarejos e enormes planícies e é possível ver gigantes baobás ao longo do caminho.

Tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade Djenné é uma cidade espetacular que é conhecida pela sua grande mesquita a maior estrutura do mundo feita em argila. O melhor dia para conhecê-la é nas segundas feiras quando acontece o famoso mercado local. Infelizmente a entrada no interior da mesquita é vetada a não muçulmanos. Construída com barro misturado com palha seca e coco de vaca a mesquita é uma estrutura imponente com uma arquitetura fantástica.

Centenas de camponeses das tribos vizinhas trazem seus produtos para serem vendidos ou trocados nas barracas montadas em frente à mesquita. É um verdadeiro espetáculo de cores, aromas, fumaça e sabores. Com certeza aquele cenário não deve ter mudado muito nas ultimas centenas de anos.

Peixes secos pescados no Níger, carnes, frutas exóticas, verduras, animais vivos, temperos, especiarias, couros e roupas. Mercadores negociando seus animais, crianças correndo em meio a porcos e galinhas, mães com bebes nas costas, muito barulho e línguas diferentes. Vagamos por horas fascinados por tudo aquilo que acontecia ao nosso redor e nos sentimos extraterrestres intrusos com nossas câmeras nas mãos.

Almoçamos num restaurante local e provamos o “captain” um peixe grelhado no carvão eleito o prato preferido de toda a viagem. É uma espécie de carpa grelhada com manteiga e limão. A carne é tenra e muito saborosa.

De Dejnné passamos por Mopti a segunda maior cidade do Mali e um importante porto a beira do Niger. Fizemos um passeio de “pinasse” pelo rio uma espécie de canoa de madeira motorizada e visitamos alguns vilarejos, mercados flutuantes e ilhas. Nos hospedamos num hotel cujo do dono era um libanês e para nossa alegria o cardápio do restaurante tinha também típicos pratos libaneses.

De lá seguimos viagem em direção a lendária e isolada cidade de Timbuktu. Nosso principal objetivo da viagem era conseguir chegar nesse lugar considerado por muitos viajantes como um dos lugares mais inacessíveis do planeta o verdadeiro fim do mundo.

Apesar de todos os avisos de segurança das embaixadas européias aconselhando a não visitar essa região decidimos ir mesmo assim com a idéia de que ninguém faria mal ou tentaria seqüestrar dois viajantes do país do futebol. Havia rumores de que uma célula da AL Qaeda estaria tentando controlar e separar a região do resto do país promovendo ataques terroristas.

De fato éramos os dois únicos turistas na cidade. Perambulando pelas ruas tivemos a chance de assistir a um jogo de futebol no estádio municipal. Na entrada havia dezenas de crianças tentando sem sucesso entrar e ameaçadas por um policial com cassetete na mão. Fizemos a alegria da criançada quando pagamos a entrada de todas elas e mandamos o policial liberar a catraca. Logo viramos celebridades locais.

Timbuktu é uma cidade milenar com a maioria da população beduína e esta num ponto muito estratégico entre o Deserto do Sahara e o Rio Niger. Era o ponto final das caravanas de camelo que ligavam o Mediterrâneo ao Oeste da África desde os tempos medievais. Foi a capital de um dos impérios mais prósperos da África com inúmeras universidades islâmicas e mesquitas o importante centro islâmico de uma civilização.

De Timbuktu fomos para o lugar mais fascinante do Mali uma região chamada Dogon Country. Também tombado pela UNESCO como patrimônio histórico e cultural da humanidade o País Dogon fica na região central do país e é formado por pequenos vilarejos encravados ao longo da Falésia de Badiagara.

O povo Dogon se estabeleceu ali há mais de mil anos na tentativa de fugir do Islã. Possuem suas próprias línguas, crenças, costumes, calendários e culinária. Vivem de forma muito primitiva através do pastoreio de animais e agricultura rudimentar.  

Percorremos a pé uma serie de vilarejos ao longo da Falésia. Com muros de barro e casas de sapé cada vilarejo possui na parte mais alta seu Hogon onde vive o ancião líder espiritual da comunidade. É uma figura de grande respeito para quem os mais jovens pedem conselhos e trocam idéias. 

O mais curioso é que as mulheres roubam a cena e são responsáveis por praticamente tudo na sociedade principalmente pelo trabalho mais pesado. Elas carregam os filhos nas costas, baldes de água nas cabeças, cultivam e preparam os alimentos, cuidam da colheita, da troca dos produtos nos mercados, etc.

Visitamos o mercado local onde mulheres com roupas coloridas vendiam frutas e verduras e provamos a cerveja feita de milheto. Bebemos aquela água suja e quente diretamente da bacia que estava sendo carregada na cabeça de uma mulher.

Com tantas atrações incríveis o Mali é ainda muito pouco visitado. Mesmo sendo um dos países mais pobres e precários do mundo é relativamente seguro viajar por lá com exceção de Timbutku onde rebeldes separatistas recentemente tomaram o controle da região.

Centenas de crianças se aproximam durante toda a viagem para pedir dinheiro, balas e presentes. As condições de higiene e infra estrutura são precárias e é muito difícil não se comover com toda aquela criançada sorridente olhando para você.  

Percorremos mais de 3.000 km com nossa Land Cruiser pelas estradas do país e encerramos nossa viagem no mesmo ponto de partida a capital Bamako.

A maneira mais fácil de chegar no Mali é voando Air France via paris. Visto e vacina de febre amarela são obrigatórios. Para a emissão do visto o ideal é conseguir uma carta convite através de uma agência de turismo local mediante contato prévio. A língua oficial é o francês e a moeda o franco. Dólares e Euros também são aceitos. A melhor época para ir é após a estação das chuvas de Novembro a janeiro.

Etiópia


















Como um país tão rico em história e tradições culturais continua sendo um lugar tão pouco visitado?

Mal compreendida e afastada das rotas turísticas convencionais a Etiópia continua sendo sinônimo de guerras e lugar onde crianças subnutridas morrem de fome. As fortes imagens da crise humanitária causada pela seca publicadas nos anos de 2000 e 2002 chocaram profundamente o mundo.

Infelizmente essa é a imagem lembrada pelas pessoas assim como as imagens do Carnaval e Futebol são associadas ao Brasil. Essa má interpretação e preconceito embora sejam negativos tem seus benefícios transformando a viagem ao país em uma grande descoberta e uma agradável surpresa.

Dentre suas atrações históricas destacam-se as fantásticas igrejas esculpidas na pedra em Lalibela datadas do século 12 e 13, os grandiosos castelos de Gonder do século 17, os gigantescos obeliscos de granito em Aksum com mais de 2.000 anos de idade e os antigos monastérios ortodoxos nas ilhas do Lago Tana.

É também no Lago Tana no interior da Etiópia que nasce o Nilo Azul que junto com o Nilo Branco oriundo do Lago Victoria formam o Rio Nilo. As águas do Nilo Azul, cujas cataratas criam um belo cartão postal, correspondem por quase 90% do Nilo que se estende até Egito.

Também conhecida como a Petra da África, Lalibela é o lugar mais fantástico e sagrado da Etiópia. Foi concebida pelo Rei Lalibela para ser uma nova Jerusalém em solo africano acessível a todo o povo etíope longe dos muçulmanos. Cerca de 400 igrejas datadas dos séculos 12 e 13 foram esculpidas nas pedras na região e encontram-se bem conservadas. As mais famosas são a Bet Giyorgis ou Igreja de São Jorge em forma de cruz e a Bet Maryam ou Igreja de Maria construída em homenagem a virgem que é adorada no país.

A Etiópia é o único país da África que não foi colonizado e por isso manteve firme e intacta toda a sua identidade cultural.

O país conserva sua própria e distintiva língua, sua própria bebida e culinária, sua própria igreja, seus santos e até seu próprio calendário.

Com maioria da população cristã-ortodoxa, uma outra parte muçulmana e uma minoria de judeus a Etiópia é um lugar bíblico lar de uma das mais interessantes civilizações do mundo.

Os Falashas são os judeus etíopes descendentes diretos de Menelik, filho do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Segundo a lenda a Rainha de Sabá, cuja dinastia durou cerca de 3.000 anos, foi fazer uma visita de estado ao Rei Salomão em Jerusalém e voltou à Etiópia com o futuro Rei Menelik nos braços. Hoje restam pouquíssimos Falashas na Etiópia e algumas poucas sinagogas perto de Gonder. A maioria deles imigrou para Israel.

Também lugar de famosas descobertas arqueológicas a Etiópia é conhecida como o Berço da Humanidade. Lá foram encontrados os restos fossilizados do mais antigo hominídeo do planeta apelidado de Lucy com mais de 3.2 milhões de anos.

Lucy é o carinhoso nome dado ao esqueleto da nossa mais antiga descendente metade humana metade macaco. Foi uma homenagem à música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds que tocava no campo arqueológico no momento da descoberta. Lucy encontra-se exposta no Museu Nacional de Adis Abeba, capital do país.

Em contraste com seu estereotipo de Terra da Fome a Etiópia destaca-se também por suas exuberantes paisagens, sua vida selvagem e seus diferentes grupos étnicos.

Com suas ricas tradições, sua bela história e seus laços estreitos com o Cristianismo e Judaísmo a Etiópia é um país fascinante que aguarda ansiosamente para ser desbravada.

É um lugar muito mais rico e interessante do que podemos imaginar. É com toda certeza o segredo mais bem guardado da África. Vale a pena visitá-la antes que esse segredo seja descoberto!







Informações e Curiosidades:

O conhecido termo Rastafari originou-se a partir do nome do ultimo monarca da Etiópia, Haile Selassie, que fora corado imperador em 1930 e reinou até 1974. Ras significa príncipe e Tafari era seu nome antes de ser coroado. Identificando-se com o monarca etíope e com a própria Etiópia como um estado africano independente livre do colonialismo criou-se na Jamaica uma nova religião acreditando-se que o novo imperador etíope era a encarnação de Deus. Atualmente os Rastas aguardam pacientemente a restauração da monarquia na Etiópia.

Amárico é a língua oficial do país e pertence à mesma família das línguas semíticas como o hebraico, o árabe e o assírio. A moeda local é o Birr. A melhor época para visitar o país é de Outubro a Janeiro após a estação das chuvas.

Minha sugestão é fazer o circuito histórico começando em Adis em seguida visitando os monastérios ortodoxos no Lago Tana próximos a Bahar Dar e as Cataratas do Rio Nilo Azul. Depois uma visita às cidades de Gonder para ver os castelos medievais, Lalibela para ver as igrejas antigas e Aksum para ver obeliscos do Império Aksumita.

Devido à geografia montanhosa do país recomendo fazer alguns dos trechos de avião. As acomodações fora de Adis são muito simples e baratas com exceção de alguns hotéis do governo.

Acreditem ou não o país possue uma das melhores companhias aéreas da África com uma frota moderna e uma excelente malha de vôos domésticos e internacionais com um ótimo serviço de bordo. A rede hoteleira apesar de ainda pouco desenvolvida orgulha-se de ter o mais luxuoso hotel do continente africano, o Sheraton de Adis Abeba, um verdadeiro palácio.

A comida local é picante e exótica. Não deixem de experimentar a Injera, uma panqueca com especiarias e o Tej, vinho local feito de mel. A cerimônia do café não deve ser perdida onde os grãos são torrados e moídos na hora. O café etíope é considerado um dos mais saborosos e caros mundos, não na Etiópia.

A Etiópia conhecida também como Abissínia fica na região do Chifre da África, no Leste, perto da Somália, Sudão e Eritréia. Para se chegar lá pode-se voar via Frankfurt, Roma ou Dubai. Vistos são emitidos no desembarque mediante pagamento de taxa e atestado de vacina de febre amarela.

Por Raul Frare









Coréia do Norte (DPRK)





















Curiosidade: Coreia do Norte x Futebol
Em 1966 a Coreia do Norte participou da sua primeira e unica Copa do Mundo sediada na Inglaterra. Ela supreendeu o mundo ao vencer a Italia por 1x0 chegando as quartas de finais. Porem mesmo tendo feito os 3 primeiros gols na partida mais espetacular da Copa acabou sendo eliminada por Portugal num placar de 3x5. O time norte coreano deixou a Inglaterra como campeao porem nunca mais se teve noticias de seus jogadores. A Coreia do Norte depois de 44 anos voltara a jogar na Copa do Mundo da Africa do Sul e enfrentara o Brasil no dia 15 de Junho em Johannesburgo. Com certeza sera um jogo muito curiosos e emocionante para todos nos.
Viagem a Coreia do Norte
Acordei durante uma turbulencia no meio do vôo que me levava de NY a Beijing. Estavamos cruzando o Polo Norte e era possível ver da janela a imensidão branca da planice polar. O sol, presença constante naquele horizonte, iluminava aquela paisagem gelada e refletia seus raios nas asas metálicas do avião. Faltavam ainda sete horas de vôo e eu não conseguia parar de pensar na idéia de estar a poucos passos de realizar um grande sonho, conhecer a Coréia do Norte.
No trajeto do aeroporto ao meu hotel que ficava perto da Praça da Paz Celestial eu quase não consegui reconhecer a Beijing em que estive há 20 anos atrás. Estava tudo diferente e mudado com uma forte influencia capitalista.
Beijing estava num ritmo acelerado de obras com prédios e quarteirões velhos sendo demolidos dando espaço a construções novas e modernas. Uma verdadeira corrida contra o tempo, afinal as Olimpíadas estavam a poucos meses dali.
O mais estranho era que ate aquele momento, ha três dias da minha suposta visita ao pais mais fechado do mundo eu ainda não tinha a confirmação de que estaria autorizado a viajar. As autoridades norte-coreanas e o consulado em Beijing embora recebam as informações dos pretendentes a turistas com meses de antecedência geralmente expedem os vistos de entrada poucos dias antes da suposta viagem. Há muitos casos de pessoas que vão ate a China e voltam pra casa frustrados sem ter conseguido entrar na Coréia do Norte.
Obtive a resposta positiva um dia antes da partida e em seguida fui apresentado aos demais viajantes que formavam o meu grupo. Muitos europeus, alguns australianos e como já imaginava nenhum americano. Estes últimos, considerados pelos norte coreanos como imperialistas e inimigos eram ate pouco tempo atras proibidos de entrar no país. Durante o “briefing” fomos todos informados do que estariamos autorizados a fazer e a não fazer durante a nossa visita. Aprendemos um pouco do protocolo e das delicadas situações em que poderíamos nos encontrar.
O velho avião da companhia norte coreana Air Koryo de fabricação russa destoava-se dos demais no pátio do aeroporto de Beijing transformando-se num bizarro cartão de visitas. Havia muito mais passageiros que assentos disponíveis porem inesperadamente fomos todos acomodados, alguns dividindo o mesmo assento e logo em seguida o vôo finalmente decolou em direção a Pyongyang.
Durante o vôo tivemos o primeiro contato com alguns norte coreanos, todos integrantes de uma pequena minoria, geralmente pessoas do alto escalão ligadas ao governo e que sao autorizadas a sair do pais em missões oficiais. Todos usavam ternos escuros e um broche no peito com a imagem de seu pai e Grande Líder, Kim Il Sung.
A Republica Popular Democrática da Coréia, tradução de DPRK, como gosta de ser chamada a Coréia do Norte, encontra-se ate os dias de hoje oficialmente em guerra com sua irmã, a Coréia do Sul. Nunca foi assinado um acordo de paz entre elas. Apos a Guerra a península coreana foi dividida em duas partes atraves do paralelo 38. De um lado ficou o sul capitalista protegido pelos Estados Unidos e de outro, numa isolação jamais vista, o norte radicalmente comunista e protegido pela Rússia e China. A linha de fronteira entre as duas Coréias é a zona mais armada do planeta e conta com a presença de milhares de soldados em ambos os lados prontos para entrar em guerra a qualquer momento
Aterrisamos em Pyongyang numa tarde de Outono e enquanto o avião taxiava em frente ao velho terminal de passageiros uma grande imagem de Kim Il Sung nos dava as boas vindas. Fiquei triste em descobrir que não teríamos nossos passaportes carimbados, pois estavamos viajando num “Group Visa”, essa talvez a única opção para quem não viaja a negócios e gostaria de conhecer o pais como turista.
Fomos revistados e obrigados a entregar nossos telefones celulares para a nossa guia norte coreana antes de passar pela alfândega. Só voltaríamos a vê-los nas ultimas horas de viagem minutos antes de cruzar a fronteira para Dandong na China. Câmeras fotográficas são permitidas e filmadoras entram com restrições, porem notebooks nem pensar, devem ser deixados em Beijing.
Do aeroporto fomos levados diretamente a grande estatua de bronze de Kim Il Sung no alto da cidade onde fomos obrigados a reverenciar o Grande Líder do pais. No caminho passamos pelo gigantesco Arco do Triunfo onde paramos para tirar algumas fotos. A Coréia do Norte e uma zona foto sensível e devemos sempre perguntar antes de fotografar. Fotos tiradas da janela do nosso ônibus ou sem autorização eram proibidas e poderiam nos levar a expulsão. Eramos constantemente vigiados por nossos guias e mediante qualquer suspeita de violação nos alertavam e nos chamavam a atenção.
As avenidas de Pyongyang são largas e vazias com pouquíssimos veículos. Apenas alguns oficiais do governo e diplomatas estrangeiros possuem carros. Mesmo assim desnecessariamente belas guardas de transito controlam os principais cruzamentos da cidade com uma coreografia cômica e robótica. A cidade conta com um otimo sistema de transporte publico formado por uma rede de metros e ônibus urbanos.
As estações de metro são suntuosas e tentam se equiparar às de Moscou. Os únicos outdoors que podemos encontrar são aqueles com imagens de Kim Il Sung e seu filho e Kim Jong Il e alguns outros com propaganda comunista do governo.
Pyongyang conta com dois hotéis para receber estrangeiros sendo um para turistas e outro para viajantes a negocio. Fomos encaminhados para o Yanggakdo International Hotel que fica estrategicamente isolado na ilha de Yanggak em meio ao Rio Taedong que corta a cidade. De fora parece um prédio atrativo, imponente e moderno mas por dentro temos uma realidade bem diferente e decadente. No último andar há um restaurante giratório muito cafona mas com uma bela vista da cidade.
Como a falta de energia é freqüente ficar preso nos elevadores do hotel é algo muito comum e segundo nossos guias, não deveríamos entrar em pânico. Li em um guia de viagem que há indícios de escutas escondidas nos quartos para monitorar os estrangeiros. Devemos ter muito cuidado com o que falamos ou escrevemos. E-mails são reescritos por uma secretaria do Business Center e encaminhados atraves de um endereco norte coreano. Eramos tambem proibidos de deixar o nosso hotel sozinhos e sem autorização. Quem ousaria se arriscar?
Um dinamarquês que viajava em nosso grupo, sem saber, ousou e se deu mal. Em seu quarto no hotel amassou uma cópia do periódico Pyongyang Times cuja capa tinha uma foto do Grande Líder, Kim Il Sung, e a jogou no lixo, não se dando conta da grande ofensa que estava causando. A camareira encaminhou a copia amassada à gerencia e em seguida fomos avisados que nosso grupo deveria deixar o país imediatamente. Após uma longa e burocratica negociação ficou combinado que o dinamarquês faria um pedido formal de desculpas aos norte coreanos e em seguida deixaria sozinho o país. O resto do grupo não teve que pagar por sua má conduta.
Um dos pontos altos da visita ao país é a viagem a cidade de Kaesong, fronteira com a Coréia do Sul, para visitar a DMZ, zona desmilitarizada. Viajamos de ônibus pela deserta Rodovia da Reunificação que liga Pyongyang a Seul. A cada cinco quilômetros há barricadas de concreto que podem bloquear rapidamente a estrada num eventual ataque sul coreano.
Durante a visita a DMZ ficamos frente à frente com os soldados do sul e com o prédio americano responsável pela segurança do lado da Coréia do Sul que vigia minuciosamente os visitantes do lado norte. Há uma casa azul bem no meio da linha de fronteira com duas portas, uma para o norte e outra para o sul. È possível entrar dentro dessa casa, que é usada para encontros e negociações e cruzar a fronteira para o lado sul, mas é claro que a porta de saída esta trancada e fortemente guardada. Em qualquer tentativa de cruzar de um lado para outro o infrator seria fuzilado e geraria um estresse de grandes proporções entre os dois paises.
Logo depois fomos para a cidade de Kaesong onde nos hospedamos num hotel tradicional com camas de tatame onde nos deliciamos com a culinária típica da região. Gostei muito do Kimchi (folhas de alface e repolho fermentadas com muita pimenta). Provei também o Korean Barbecue e em seguida a mais fina iguaria coreana, a famosa sopa de cachorro.
Dia seguinte voltamos a Pyongyang para mais um dia de visitas onde conhecemos o Museu da Guerra. Lá fomos incansavelmente lembrados pelos guias que foram os imperialistas americanos quem começaram a Guerra da Coréia. Fomos expostos aos indícios e provas e as carcaças de bombas mortiferas que dizimaram os coreanos durante a guerra. Visitamos também a Torre Juche que com sua tocha vermelha e dourada simboliza a doutrina do país. Conhecemos tambem outros monumentos e o navio espião americano que foi apreendido na costa da peninsula há vinte anos atrás.
O ponto alto da visita à Coréia do Norte é sem duvida assistir aos Mass Games: um mega espetáculo de luzes, cores e som onde mais de 18.000 ginastas realizam uma coreografia ritmada dentro de um estádio construído especialmente para o evento e que ainda inclui um gigantesco placar humano formado por um mosaico de 3.000 crianças que reproduzem com muita fidelidade as imagens dos grandes lideres do país.
Sem duvidas e um espetáculo impressionante e inesquecível. Os ginastas treinam mais de 12 horas por dia durante anos para poderem se apresentar nesse espetáculo que apesar de belo mais parece uma parada militar. A simetria, fidelidade, hierarquia, respeito e submissão estão em total harmonia e de acordo com os ideais Juche que doutrinam o país. E tambem uma enorme honra para um norte coreano poder se apresentar perante o Grande General Kim Jong Il, que por sua vez não perde um espetáculo.
Geralmente os grupos de turistas que entram na Coréia do Norte de aviao saem do país de trem. É incrivel poder viajar por terra e conhecer melhor o interior desse país tão fechado. No ultimo dia de coreia partimos de Pyongyang em direção a Dandong na fronteira com a China. Pudemos aproveitar as belas paisagens porem nao pudemos sair do vagão especial para turistas em nenhum momento. Antes de cruzar o Rio Yalu que divide a península coreana da China tivemos os passaportes e bagagens checados. Nossas câmeras fotográficas também foram checadas inclusive chip por chip e imagem por imagem. Caso tivéssemos alguma imagem proibida ou tirada sem autorização poderíamos ter as fotos apagadas e a câmera apreendida.
Minutos antes de cruzarmos a fronteira chinesa recebemos de volta nossos celulares. De longe pudemos ver a claridade das luzes dos arranha céus chineses do outro lado do rio. Tivemos a sensacao de estar saindo do passado e voltando para o presente. Para trás daquela cortina de ferro ficava aquele lugar extremamente misterioso, antiquado e proibido.
A Coréia do Norte é conhecida como um lugar esquisito e bizarro que pertence ao Eixo do Mal. Mas por ser tão isolada do resto do mundo é um dos poucos lugares que restam intactos em sua essência sendo essa a rica experiência de uma visita a esse pais.
È um país que possui o comunismo puro em sua alma e é doutrinado pelo Jucheismo, isto é, os norte coreanos são os responsáveis pela sua própria sobrevivência e visam não aceitar a ajuda e auxilio de outras nações.
Embora seja uma viagem inesquecivel, visitar a Coréia do Norte é algo polemico onde muitas vezes não vemos a verdade e a realidade dos fatos mas sim o que lhes é conveniente.
Nome: Coréia do Norte – Republica Popular Democrática da Coréia (DPRK)
Capita: Pyongyang
Idioma: Coreano
Governo: Republica Socialista regida sob a Doutrina Juche.
Presidente Eterno: o Grande Líder, Kim Il Sung
Presidente General: Kim Jong Il
População: 23.8 milhões de habitantes
Moeda: Won
Por Raul Frare

Madagascar


















A África é selvagem. Viajar sozinho por lá não é das tarefas mais fáceis. A falta de infra-estrutura, segurança e a burocracia fazem com que tudo seja uma experiência árdua porem inesquecível. As doze horas de espera numa fronteira ou as quinze horas de viagem num ônibus local abarrotado de gente e dividindo assento com galinhas, porcos e tudo mais são facilmente recompensadas pelas belas paisagens e pelo incrível cenário da vida selvagem dos seus grandes parques nacionais.

Depois de um mês viajando pelo sul do continente cruzando as fronteiras entre o Moçambique, Zimbábue, Zâmbia e Botswana finalmente chegou o tão esperado momento da minha viagem: de Johanesburgo voei diretamente para Antananarivo, a porta de entrada de Madagascar e capital do país.

Madagascar, um nome que sugere exotismo, é um destino fora da rota turística convencional. Talvez aí o porquê de seu charme e originalidade. Lá parecemos estar parados no tempo tendo uma sensação de imobilismo e tranqüilidade. Por ser tão pouco explorada é um lugar espetacular e apaixonante

É uma ilha de contrastes com lugares mágicos e misteriosos onde redescobrimos as sensações de espaço e liberdade. Dos seus desertos ao sul à suas montanhas, florestas tropicais e praias paradisíacas, um imenso playground com cores tropicais e atmosfera cinematográfica.

Cortada fora do continente africano a milhões de anos Madagascar é uma ilha que por estar geograficamente isolada possui um ecossistema único e frágil com flora e fauna darwinianas. É um importante repositório de biodiversidade com suas arvores gigantes, os Baobabs, e seus simpáticos lêmures, animais ancestrais aos macacos.

A cultura malgaxe é como sua natureza: rica, vibrante e variada. O país foi colonizado durante anos pelos franceses porem conseguiu preservar sua cultura quase que intocavelmente. Seu povo é também em geral muito simpático e amigável.

Cheguei em Tana (abreviação da capital, Antananarivo), uma cidade situada no meio das montanhas no coração da ilha. Construída amontoada em meio a um vale e cheia de ruelas de pedra possui um trânsito caótico infestado de Renault 4, o carrinho simpático que é a paixão nacional. Todos ali falam o malgaxe e o francês então a comunicação não fica muito difícil. Os mercados de rua estão por todos os lados e os perfumes das especiarias, principalmente a vanila (baunilha), deixam a cidade com um aroma muito especial.

As estradas do país são deterioradas pelas chuvas por isso a melhor maneira de se locomover entre longas distancias é de avião. As opções de hospedagem são das mais variadas e vão do rústico ao sofisticado. Para aqueles que buscam sofisticação Madagascar oferece alguns finos resorts e pequenos hotéis de charme podendo-se experimentar as belas paisagens do país com muito estilo e conforto.

Voei até Nosy Be, uma ilha tropical ao noroeste do país envolta por uma barreira de corais e com lindas praias e florestas. Que lugar! Hospedei-me em Ambatoloaka, uma vila de pescadores com uma praia de água azul turquesa de tirar o fôlego.

O hotel Chez Gérard et Francine é sem dúvida a melhor opção: um antigo casarão creolo-francês com uma imensa varanda de madeira e jardim privativo. Todas as nove suítes são de frente para a praia e o serviço impecável: café da manha na sacada do quarto, massagens na praia e demais mordomias. Na hora do almoço pode-se ainda escolher as lagostas e peixes frescos recém pescados diretamente dos barcos de pescadores que serão preparados pelo chef francês do hotel.

As opções de diversão são variadas: de mergulhos submarinos aos passeios pelas praias e ilhas da região como Nosy Tanikely e Nosy Iranja além de visitas aos parques nacionais para ver os lêmures como em Nosy Komba.

Em Nosy Be o aroma das especiarias está sempre presente no ar, seja do perfume da flor de Ylang-Ylang, da vanila, cana-de-açúcar, canela e pimenta seca. Todos os domingos na praia de Andilana, a mais bonita e remota da ilha, as pessoas juntam-se na barraca do Chez Lou Lou (um vietnamita radicado na ilha) para comer o famoso brunch de frutos do mar, all you can eat por apenas 5 euros. Imperdível!

Perto de Nosy Be estão as ilhas paradisíacas de Nosy Iranja de paisagem pitoresca. As duas pequeninas ilhas privadas praticamente desertas são conectadas por um banco de areia branca visível durante a baixa de maré. Ali está situado um dos hotéis mais exclusivos da África, o Iranja Lodge, que oferece muito luxo e privacidade para quem está disposto a pagar mais de 1.000 euros por uma noite. O hotel é construído em madeira e materiais naturais em total harmonia com a natureza. Os dez bangalôs estão dispostos em frente ao mar e oferecem todo o conforto como ar condicionado, telefone via satélite, cd player e demais mordomias. O traslado do aeroporto ao hotel é feito de helicóptero.

Outra opção para quem busca luxo e sofisticação é o Anjajavy l'Hôtel situado em Mahajanga numa península entre praias desertas e florestas tropicais dentro de um parque nacional. Por ser um Relais Chateaux oferece todos os mimos possíveis além de uma culinária pra lá de bacana.

Rumo ao extremo norte de Madagascar cheguei em Diego Suarez, cidade fundada por um antigo navegador português na rota para a Índia. Dizem os locais que a baía de Diego Suarez ou Antsiranana era refúgio de muitos piratas e que alguns deles chegaram a esconder seus tesouros na região. Pode se encontrar ali algumas espécies de Baobabs, a árvore gigante símbolo do país. O Parc National de Montagne d´Ambre na mesma região abriga as mais variadas espécies de lêmures e camaleões e vale uma visita.

Madagascar é um dos paises mais pobres do mundo. O turismo, apesar de ainda muito pouco explorado, vem aos poucos crescendo a cada dia e com isso a esperança do povo malgaxe que depende enormemente das divisas deixadas pelos visitantes. O custo lá é muito baixo: acomodação varia entre 4 e 10 euros para um lugar budget e 60 e 100 euros para um hotel mais confortável (a exceção são três hotéis super luxuosos que custam bem mais que isso). Alimentação varia entre 3 e 10 euros. Euros e dólares americanos são aceitos em praticamente todos os lugares e cartões de crédito em alguns estabelecimentos. A ilha é praticamente segura com algumas exceções em Antananarivo, capital do país, onde se deve ter cautela ao caminhar à noite pelas ruas.

Informações Gerais:

Nome: República de Madagascar (Repoblikan Madagasiraka)

População: 17 milhões

Área: 587.041 Km²

Capital: Antananarivo (Tana)

Idiomas oficiais: Malgaxe e Francês

Religiões: Cristianismo e Islamismo

Moeda: Franco Malgaxe

Indústria: Agricultura

Vistos: obrigatório para todos os visitantes. Os vistos são válidos por até três meses da data de entrada e podem ser comprados no aeroporto de Antananarivo após o desembarque mediante pagamento de taxa + foto 3x4. É necessário também Certificado Internacional de Vacina contra Febre Amarela para brasileiros.

Quando ir: a melhor época para conhecer o país é de Abril a Outubro (inverno do hemisfério sul). Na baixa estação, verão do hemisfério sul (novembro a março), o clima é muito quente e úmido, conhecido também como a estação do furacão e das chuvas.

Como chegar lá: voando Air France ou Air Madagascar a partir de Paris ou voando SAA (South African Airways) + Air Madagascar via Johanesburgo.

Por Raul Frare

Irã














Rotulado como integrante do Eixo do Mal pelo presidente dos EUA, George W Bush, e graças à propaganda negativa da mídia ocidental somada a falta de informação das pessoas o nome Irã nos sugere um lugar perigoso que conspira contra o ocidente.

Porém ao visitarmos o Irã percebemos que estamos equivocados e presenciamos uma realidade totalmente diferente: um país sensual, seguro e generoso que recebe seus turistas de braços abertos. Os iranianos são amigáveis, hospitaleiros, cultos e educados e demonstram um grande interesse pelo ocidente. Não é à toa que escritores estrangeiros como Paulo Coelho fazem imenso sucesso e viraram celebridades por lá.

O Irã originou-se a partir do Império Persa, uma das maiores civilizações que o mundo já conheceu, fundado pelo imperador Ciro, o Grande. As ruínas da cidade de Persepolis, antigo centro da civilização persa, são prova disso e nos maravilham até os dias de hoje. Sua cultura foi absorvida e resistida através dos tempos e a língua persa permanece praticamente inalterada desde sua criação há mais de 2.500 anos.

Até 1979 o Irã era governado pelo xá Reza Pahlevi, uma espécie de rei, num governo autoritário que se propunha a modernizar o país. Além disso, o xá era um fiel aliado dos EUA no Oriente Médio. Essa modernização implicava numa transformação dos costumes, cada vez mais próxima dos ocidentais e isso desagradava a cúpula religiosa, visto que o Irã é um país de maioria xiita.

Esses fatos levaram em 1979 a Revolução Islâmica, onde forças xiitas leais ao aiatolá Khomeini depuseram o governo do xá e criaram um governo xiita enfraquecendo as relações com o mundo ocidental e modificando drasticamente os costumes do país. O país adotou então a teocracia, uma forma de governo controlado por líderes religiosos, os aiatolás, que asseguram que as leis e praticas sociais estão de acordo com os princípios islâmicos.

A caça ao escritor Salman Rushdie que criticou o Islã em seus Versos Satânicos e a reação às charges dinamarquesas são alguns exemplos dessa política que volta e meia põe em cheque a reputação do Irã com o mundo ocidental.

Após a morte de Khomeini em 1989 e o fim da sangrenta guerra com o Iraque o Irã voltou a abrir-se para o turismo internacional. Mesmo assim turistas ocidentais, principalmente as mulheres, necessitam se familiarizar com algumas regras de conduta ao visitar o país, tais como usar o véu em público e não mostrar as pernas e pescoço.

Atualmente o país reaparece nos holofotes internacionais pela batalha diplomática que trava com a ONU sobre suas intenções nucleares que segundo o Irã são meramente para fins de geração de energia. Este impasse está irritando os EUA e a Europa e poderá resultar em uma nova guerra no Oriente Médio nos próximos dias.

Conhecida como a Los Angeles do Oriente Médio Teerã, a capital do país, é um lugar que impressiona. Possui um ótimo sistema de metrô, grandes universidades, arranha-céus e free-ways que tentam aliviar o trânsito de seus 12 milhões de habitantes. A cidade está aos pés das belas montanhas Alborz que separam a cidade do Mar Cáspio. Os mais ricos vivem na parte alta da cidade próxima as montanhas e o mais pobres na parte baixa.

O Palácio Branco, antiga residência do xá Reza Pahlevi na parte alta da cidade foi transformado em museu e é possível visitá-lo, podendo-se ver a coleção de tapetes persas e vestidos de Farah Dibah que fora expulsa do Irã junto com o xá após a Revolução Islâmica. No inverno é possível esquiar nas montanhas próximas a Teerã. As mulheres podem fazê-lo, mas obviamente não devem tirar o véu.

Esfahan, a antiga capital, é a cidade mais charmosa do Irã. Possui suntuosas mesquitas, minaretes, praças e palácios, verdadeiras jóias da arquitetura islâmica tombadas pela Unesco como patrimônio da humanidade.

Próximas de Shiraz estão as ruínas das cidades de Persepolis, a antiga capital do Império Persa, e da vizinha Pasargada onde está a tumba de Ciro, o Grande. São dois lugares espetaculares que por si só já valem a viagem até o Irã.

A cidade de Yazd ao centro do país é o berço do Zoroastrismo, a religião monoteísta mais antiga do mundo fundada por Zaratustra e que além de preceder teve forte influência no Judaísmo, Cristianismo e no Islã. A filosofia de Zaratustra foi a primeira a postular um único Deus criador do universo e as noções do bem e do mal, do paraíso e do inferno. Yazd é sem duvida um lugar interessantíssimo especialmente para aqueles que querem conhecer mais dessa fascinante religião.

A antiga cidade medieval de Arg-e Bam inteira construída de argila era umas das atrações mais bem conservadas de todo o Irã. Seus 2.000 anos de história foram destruídos no mortífero terremoto de 2003 que devastou o sudeste do país e dizimou a vida de mais de 40.000 iranianos.

Viajar pelo Irã é muito barato devido ao baixo preço do petróleo no país. Bilhetes de avião e de ônibus costumam custar quase o mesmo preço. Além de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo e ser internacionalmente conhecido pelo seu pistachio e caviar o Irã vem chamando a atenção do mundo pela qualidade de seu cinema. Diretores como Mohsen Makhmalbaf tiveram filmes premiados em Cannes e indicações ao Oscar nos últimos anos.

Dentre outras curiosidades do país destaca-se o pinglish, uma mistura de inglês com persa que os jovens iranianos utilizam para compor suas mensagens enviadas pelo celular. Devido as sanções comerciais impostas pelos EUA ao Irã e a política antiamericana não existe Coca-Cola nem Mc Donald´s no país. Dessa maneira somos obrigados a degustar os deliciosos pratos da cozinha persa. Devido às severas leis islâmicas o consumo de bebidas alcoólicas é proibido no país.

Informações Gerais


Nome: República Islâmica do Irã

Capital: Teerã

Área: 1.648.000 Km2

População: 70 milhões

Língua oficial: persa (farsi)

Religião: 90% muçulmanos xiitas, 9% muçulmanos sunitas e 1% outras religiões.

Moeda: Rial Iraniano. A maior cédula equivale a poucos mais de um dólar e ironicamente dólares americanos são aceitos em todo o país.

Visto: visto de entrada necessário mediante autorização expedida pelo Ministério das Relações Exteriores Iraniano. È um processo lento e burocrático e o passaporte não pode conter visto ou carimbo de entrada em Israel. Brasileiros que chegam via aerea no aeroporto de Teera podem obter o visto no desembarque. Confirmar no Consulado Iraniano.

Como chegar: a maneira mais fácil é voando até alguma capital européia como Frankfurt, Paris ou Londres e de lá voando até Teerã. Ou via Dubai com a Emirates Airlines.

Quando ir: invernos com temperaturas abaixo de zero e muita neve e verão com temperaturas muito altas. As melhores épocas são outono e primavera.

Segurança: de um modo geral o Irã é um país seguro para se viajar. Devem-se respeitar as regras de conduta islâmica ao visitar o país.

Acomodação: os preços variam entre US$ 2 para um hotel mais simples e US$ 110 para um hotel de luxo.

Alimentação: os preços dos pratos variam entre US$ 1 e US$ 10.

Preço litro de gasolina: US$ 0,10. O Irã tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

Preço litro de água mineral: US$ 0,25

Preço lata de refrigerante: US$ 0,20


Por Raul Frare






Trans-Siberiana




















“Volte em três semanas”. Foram as palavras que escutei, num russo seco e ardido, da oficial da seção consular da Embaixada da Rússia em Ulanbator na Mongólia ao deixar minha documentação e pedido de visto. Pensei arrependido: quem mandou deixar tudo pra ultima hora e não aplicar em casa? O que faria eu em mais três semanas de Mongólia? Em três semanas eu já deveria estar em Moscou...

Para quem não sabe o visto de entrada russo é um dos mais chatos que existe: ultra complicado, ultra burocrático e absurdamente caro. E ainda se você está fora de casa fica tudo dez vezes mais difícil. E multiplique isso por ainda mais dez se você está num país como a Mongólia.

Apesar de aborrecido acabei digerindo bem a idéia. Durante as três semanas de espera estive no deserto de Gobi no sul do país, um lugar fantástico e inexplorado de beleza incrível. Passei pelas estepes centrais onde fiquei hospedado por alguns dias num Ger, uma espécie de cabana onde vivem os nômades da região. Cavalguei durante todos os dias no melhor estilo Gengis Khan, bebi leite de cavalo e comi carne seca de camelo. Mas essa estória deixarei para contar numa próxima matéria.

Com o visto na mão peguei o trem Trans-Mongol em direção a Sibéria. Na saída de Ulanbator, início da viagem, conheci dois ingleses de Manchester que estavam no vagão vizinho e tiveram suas carteiras roubadas ao subir no trem. Na Mongólia também acontecem esses imprevistos!

A viagem até Ulan Ude, capital da República da Buriatya, uma das republicas que formam a Federação Russa, dura mais de 36 horas. A maior parte parado na fronteira, desembaraçando o trem para sair da Mongólia e entrar na Sibéria. Os contrabandistas correm de vagão em vagão temerosos e agoniados escondendo as caixas de mercadorias pelos compartimentos.

Para complicar ainda mais o trem onde me encontrava procedia de Beijing na China, cidade que naquela época padecia de SARS, a mortífera pneumonia asiática. As agentes sanitárias russas, usando luvas e mascaras bem vedadas, tiravam a temperatura de cada passageiro e apresentando-se qualquer sintoma atípico era vedada a entrada no país.

Em Ulan Ude, fiz o registro do meu visto e segui para Irkutsk nas proximidades do Lago Baikal.

O Lago Baikal é bonito demais! Realmente impressionante. Sozinho, possui mais água que todos os grandes lagos americanos juntos. Além de ser o lago mais fundo do mundo, teria a capacidade de abastecer sozinho toda a população terrestre por 40 anos.

Tentei arriscar um mergulho nas suas águas gélidas de 4°C após uns shots de vodka, mas não foi possível.

Em três dias de Baikal deu pra recarregar toda a energia. Fiquei hospedado na casa de uma vovó simpática chamada Valentina. Como o mundo é pequeno: estava eu caminhando às margens do lago, tranqüilo comendo uma truta defumada e buscando lugar para dormir quando encontrei meus amigos ingleses que conheci no trem na saída da Mongólia, os da carteira roubada, e assim acabei na casa onde eles estavam, da vovó Valentina.

Do Lago Baikal peguei um vôo de quatro horas com a Air Vladivostok para a cidade de mesmo nome. Que medo! Voar num Tupolev caindo aos pedaços de 40 anos é uma experiência única que com toda certeza evitarei repetir.

O alivio da chegada em Vladivostok durou pouco. Na porta do avião tive meu passaporte checado pela polícia e em seguida me detiveram, pois esta cidade não constava descrita no meu visto de turista e queriam saber que diabos fazia eu naquele lugar. Será que tenho pinta de espião?

Tentei sem êxito chamar minha embaixada, e após seis horas junto com mais três jornalistas coreanos na mesma situação fomos todos inesperadamente liberados.

No Oceano Pacifico, Vladivostok é a extremidade leste da ferrovia Trans-Siberiana, e no meu caso, o ponto de partida para minha viagem de 9.289 Km até Moscou.

É também uma cidade que sempre me fascinou desde os tempos de War. Um ponto super estratégico muito próximo à Coréia do Norte, China e Japão e sede da frota marinha russa do Pacifico. Durante os anos soviéticos e até poucos anos atrás esta cidade estava proibida para estrangeiros.

Conheci a cidade, bem interessante por sinal, mas meio traumatizado e com um pouco de receio pela situação do meu visto. Finalmente consegui pegar o primeiro trem em direção a Moscou.

Fiz uma parada em Khabarovsk, às margens do Rio Amur na fronteira com a Manchúria. Uma cidade bem agradável e até com duas praias artificiais às
margens do rio.

De Khabarovsk fui a Novosibirsk numa puxada de três dias sem sair do trem. Nesse longo trecho, quase todo dominado pelas florestas de Taiga e pelo Lago Baikal, li "O Idiota" de Dostoievski quase pela metade, comi muita mortadela com pepino, tomei cerveja com meus companheiros de cabine e decorei todo o alfabeto cirílico.

Quando não agüentava mais comer macarrão instantâneo, tomar sopa de pacote e tentar me comunicar em russo sem muito sucesso com meus companheiros de cabine chegamos em Novosibirsk, a grande cidade da Sibéria Central.

Consegui descolar uma cama no disputado hotel da estação de trem, mais difícil que ganhar na loteria segundo o Lonely Planet, e tomar um banho de água quente pela primeira vez em dez dias de Sibéria.

Novosibirsk, as margens do Ob, um dos maiores rios do mundo cujo delta é lá no Ártico, é uma grande cidade, com uma excelente rede de metrô, famosas universidades, teatros e bons restaurantes. Foi também durante os longos anos de comunismo um dos maiores centros de pesquisas dos cientistas da Ex-URSS.

Passei também por Yekaterinburg, cidade natal de Boris Yeltsin, centro industrial e das riquezas naturais dos Montes Urais. Esta cidade é historicamente mais conhecida por ter sido o local onde o czar Nicolai II, sua esposa e crianças foram assassinados pelos Bolcheviques durante a Revolução Russa em 1918.

No dia seguinte embarquei no famoso Rossiya, trem número 01, e após mais algumas sopas de pacote e macarrão instantâneo, cruzando os Urais, saindo da Eurásia e entrando na Europa, cheguei em Moscou na famosa estação Yaroslav: ponto final da minha aventura Trans-Siberiana.

Como foi bom chegar em Moscou depois de dias dentro de um trem! Cosmopolita, agitada e organizada, Moscou oferece inúmeras opções de lazer, gastronomia e cultura. Suas estações de metrô são verdadeiras obras de arte. O teatro Bolshoi é um espetáculo à parte. A arquitetura soviética dos prédios em blocos, sua Praça Vermelha, o sarcófago de Lênin onde é possível vê-lo mumificado, as lojas GUM, e o Kremlin nos dão a certeza que Moscou é uma cidade que não perde em nada para nenhuma outra grande cidade européia.

A ferrovia Trans-Siberiana, uma das maiores maravilhas do mundo moderno, atravessa grandes rios, corta montanhas, florestas densas e vastas estepes cobertas de neve durante a maior parte do ano. Liga os extremos Leste-Oeste do maior país do mundo. O início de sua construção em 1891 foi um grande marco da engenharia e consolidou o vasto território russo. Seus 9.289 Km unindo Moscou ao Oceano Pacífico são percorridos em sete dias de trem, o que fazem dela a mais longa viagem de trem existente percorrendo um terço de nosso planeta.

Por Raul Frare

Uzbequistão












O vôo de Istambul a Tashkent, capital do Uzbequistão, dura pouco menos de cinco horas. A imigração é lenta e extremamente burocrática, um verdadeiro caos. Não existem filas e todos se amontoam desesperadamente para conseguir entrar no país.

O carimbo no passaporte vem com um ar de vitória, mas a confusão não pára por aí, pois ainda tem a alfândega e os malditos taxistas que disputam os turistas a tapas para inconvenientemente tentar extorquir alguns dólares.

Tashkent é uma típica metrópole soviética, meio decadente, porém grandiosa, limpa e organizada. É a quarta maior cidade da ex-URSS, atrás apenas de Moscou, St. Petersburgo e Kiev. Suas estações de metrô são majestosas e foram projetadas para serem abrigos antinucleares. Por motivos de segurança tirar fotos dentro delas é extremamente proibido, uma pena, levando em conta a riqueza dos detalhes e suas ornamentações.

A maneira mais segura e eficiente de viajar pelo país é de táxi. Além de ser muito barato você ainda evita de voar em um dos aviões da antiga frota soviética. Fui a Samarkand descendo o país por um corredor entre o Cazaquistão e Tajikistão.

Quando Alexandre o Grande chegou a Samarkand em 329 BC disse: “Tudo que eu escutei sobre Samarkand é verdade exceto que é ainda mais bonita do que eu imaginava”. Realmente Alexandre tinha razão. Samarkand é a cidade mais gloriosa do Uzbequistão com uma longa e rica história. Durante séculos foi o centro econômico e cultural da Ásia Central. Os minaretes, mosaicos e domos turquesas de seus grandes templos como o “Registan”, suas mesquitas e bazares coloridos dão um tom mágico e especial ao local.

Hospedei-me na Bahodir B&B, uma “guesthouse” simples, mas com um aconchego familiar que poucos hotéis mais caros poderiam oferecer. Conheci ali vários viajantes que estavam viajando da Europa a Ásia por terra. Dentre eles dois londrinos que saíram de carro de Londres e rumavam a Ulanbator na Mongólia, patrocinados e levantando fundos para salvar as crianças da Ásia Central. O site deles é muito interessante: www.drivetomongolia.org

De Samarkand fui para Bukhara. São três horas de viagem cruzando as plantações de algodão e planices desérticas. O Uzbequistão é um dos maiores produtores mundiais de algodão graças ao desvio das águas que alimentam o Mar de Aral que por sua vez fora um dos maiores lagos do mundo e hoje, praticamente seco, gera grandes desastres ambientais.

Bukhara é a cidade mais sagrada da Ásia Central. As ruelas da cidade antiga e suas construções de argila formam grandes labirintos nos dando a impressão de que o lugar não deve ter mudado muito nos últimos séculos. Bukhara é também um grande espetáculo ao vivo com seus vendedores de tapetes, bazares cobertos e “medressas” (escolas que ensinam o Islã) cheias de vida, musicas, aromas e fumaça.

Apesar da população predominantemente muçulmana Bukhara ainda possui um quarteirão judaico datando do século 13. Suas duas sinagogas possuem mais de 200 anos e ainda prestam o “Shabat” em Tajik, o idioma local.

Em mais 6 horas de viagem cheguei a Khiva, uma cidade remota nos confins do Uzbequistão que antes fora centro das caravanas de escravos e crueldade bárbaras. Khiva é protegida por uma grande muralha e diferentemente de outras cidades da Ásia Central está inteiramente preservada. Durante as noites pode-se observar a silhueta da Lua nos minaretes e colunas da cidade, um espetáculo de beleza indescritível.

O Hotel Khiva é a opção mais bacana de hospedagem por termos a oportunidade de nos hospedar numa verdadeira medressa. A antiga construção foi inteira adaptada para se tornar um hotel e os antigos quartos dos alunos que ali viviam para estudar o Islã foram transformados em pequenos quartos de hotel.

Sempre fui fascinado pela Ásia Central, isolada do resto do mundo com sua burocracia pós-soviética e seus desertos, estepes, montanhas e planices infinitas. Rico e milenar, o Uzbequistão é a grande atração dessa região. Suas cidades prosperaram muito durante a Rota da Seda e foram concebidas com uma arquitetura única e fabulosa.

Devido a sua importância foi também o epicentro de guerras e disputas sendo invadido por grandes conquistadores como Jenghiz Khan, Amir Timur, Ciro da Pérsia e Alexandre. Ao visitar o Uzbequistão temos a certeza de que em outros tempos esse não era o fim do mundo, mas sim o centro dele.

Informações Gerais

Nome:
Republica do Uzbequistão

Capital:
Tashkent

Área:
447.400 Km²

População:
25.9 milhões

Idiomas:
Uzbeque (oficial), russo e tajik (em Bukhara e Samarkand).

Religião:
90% muçulmanos sunitas, 10% outras.

Moeda:
Sum.

Vistos de entrada:
Necessário para todos mediante apresentação de carta convite. Não há representação consular no Brasil.

Como chegar lá:
Não há vôos diretos desde o Brasil. A melhor maneira é fazendo escalas em Londres, Paris, ou Istambul.

Frases:
olá = salom aleikum
obrigado = rakhmat

Preços:
Quarto individual em guesthouse com refeição: US$ 10
Refeição simples em restaurante local = US$ 3
Garrafa de cerveja = US$ 2.50
Litro de Água Mineral = US$ 0.40
Litro de Gasolina = US$ 0.25

Por Raul Frare em 21/10/2005