Coréia do Norte (DPRK)





















Curiosidade: Coreia do Norte x Futebol
Em 1966 a Coreia do Norte participou da sua primeira e unica Copa do Mundo sediada na Inglaterra. Ela supreendeu o mundo ao vencer a Italia por 1x0 chegando as quartas de finais. Porem mesmo tendo feito os 3 primeiros gols na partida mais espetacular da Copa acabou sendo eliminada por Portugal num placar de 3x5. O time norte coreano deixou a Inglaterra como campeao porem nunca mais se teve noticias de seus jogadores. A Coreia do Norte depois de 44 anos voltara a jogar na Copa do Mundo da Africa do Sul e enfrentara o Brasil no dia 15 de Junho em Johannesburgo. Com certeza sera um jogo muito curiosos e emocionante para todos nos.
Viagem a Coreia do Norte
Acordei durante uma turbulencia no meio do vôo que me levava de NY a Beijing. Estavamos cruzando o Polo Norte e era possível ver da janela a imensidão branca da planice polar. O sol, presença constante naquele horizonte, iluminava aquela paisagem gelada e refletia seus raios nas asas metálicas do avião. Faltavam ainda sete horas de vôo e eu não conseguia parar de pensar na idéia de estar a poucos passos de realizar um grande sonho, conhecer a Coréia do Norte.
No trajeto do aeroporto ao meu hotel que ficava perto da Praça da Paz Celestial eu quase não consegui reconhecer a Beijing em que estive há 20 anos atrás. Estava tudo diferente e mudado com uma forte influencia capitalista.
Beijing estava num ritmo acelerado de obras com prédios e quarteirões velhos sendo demolidos dando espaço a construções novas e modernas. Uma verdadeira corrida contra o tempo, afinal as Olimpíadas estavam a poucos meses dali.
O mais estranho era que ate aquele momento, ha três dias da minha suposta visita ao pais mais fechado do mundo eu ainda não tinha a confirmação de que estaria autorizado a viajar. As autoridades norte-coreanas e o consulado em Beijing embora recebam as informações dos pretendentes a turistas com meses de antecedência geralmente expedem os vistos de entrada poucos dias antes da suposta viagem. Há muitos casos de pessoas que vão ate a China e voltam pra casa frustrados sem ter conseguido entrar na Coréia do Norte.
Obtive a resposta positiva um dia antes da partida e em seguida fui apresentado aos demais viajantes que formavam o meu grupo. Muitos europeus, alguns australianos e como já imaginava nenhum americano. Estes últimos, considerados pelos norte coreanos como imperialistas e inimigos eram ate pouco tempo atras proibidos de entrar no país. Durante o “briefing” fomos todos informados do que estariamos autorizados a fazer e a não fazer durante a nossa visita. Aprendemos um pouco do protocolo e das delicadas situações em que poderíamos nos encontrar.
O velho avião da companhia norte coreana Air Koryo de fabricação russa destoava-se dos demais no pátio do aeroporto de Beijing transformando-se num bizarro cartão de visitas. Havia muito mais passageiros que assentos disponíveis porem inesperadamente fomos todos acomodados, alguns dividindo o mesmo assento e logo em seguida o vôo finalmente decolou em direção a Pyongyang.
Durante o vôo tivemos o primeiro contato com alguns norte coreanos, todos integrantes de uma pequena minoria, geralmente pessoas do alto escalão ligadas ao governo e que sao autorizadas a sair do pais em missões oficiais. Todos usavam ternos escuros e um broche no peito com a imagem de seu pai e Grande Líder, Kim Il Sung.
A Republica Popular Democrática da Coréia, tradução de DPRK, como gosta de ser chamada a Coréia do Norte, encontra-se ate os dias de hoje oficialmente em guerra com sua irmã, a Coréia do Sul. Nunca foi assinado um acordo de paz entre elas. Apos a Guerra a península coreana foi dividida em duas partes atraves do paralelo 38. De um lado ficou o sul capitalista protegido pelos Estados Unidos e de outro, numa isolação jamais vista, o norte radicalmente comunista e protegido pela Rússia e China. A linha de fronteira entre as duas Coréias é a zona mais armada do planeta e conta com a presença de milhares de soldados em ambos os lados prontos para entrar em guerra a qualquer momento
Aterrisamos em Pyongyang numa tarde de Outono e enquanto o avião taxiava em frente ao velho terminal de passageiros uma grande imagem de Kim Il Sung nos dava as boas vindas. Fiquei triste em descobrir que não teríamos nossos passaportes carimbados, pois estavamos viajando num “Group Visa”, essa talvez a única opção para quem não viaja a negócios e gostaria de conhecer o pais como turista.
Fomos revistados e obrigados a entregar nossos telefones celulares para a nossa guia norte coreana antes de passar pela alfândega. Só voltaríamos a vê-los nas ultimas horas de viagem minutos antes de cruzar a fronteira para Dandong na China. Câmeras fotográficas são permitidas e filmadoras entram com restrições, porem notebooks nem pensar, devem ser deixados em Beijing.
Do aeroporto fomos levados diretamente a grande estatua de bronze de Kim Il Sung no alto da cidade onde fomos obrigados a reverenciar o Grande Líder do pais. No caminho passamos pelo gigantesco Arco do Triunfo onde paramos para tirar algumas fotos. A Coréia do Norte e uma zona foto sensível e devemos sempre perguntar antes de fotografar. Fotos tiradas da janela do nosso ônibus ou sem autorização eram proibidas e poderiam nos levar a expulsão. Eramos constantemente vigiados por nossos guias e mediante qualquer suspeita de violação nos alertavam e nos chamavam a atenção.
As avenidas de Pyongyang são largas e vazias com pouquíssimos veículos. Apenas alguns oficiais do governo e diplomatas estrangeiros possuem carros. Mesmo assim desnecessariamente belas guardas de transito controlam os principais cruzamentos da cidade com uma coreografia cômica e robótica. A cidade conta com um otimo sistema de transporte publico formado por uma rede de metros e ônibus urbanos.
As estações de metro são suntuosas e tentam se equiparar às de Moscou. Os únicos outdoors que podemos encontrar são aqueles com imagens de Kim Il Sung e seu filho e Kim Jong Il e alguns outros com propaganda comunista do governo.
Pyongyang conta com dois hotéis para receber estrangeiros sendo um para turistas e outro para viajantes a negocio. Fomos encaminhados para o Yanggakdo International Hotel que fica estrategicamente isolado na ilha de Yanggak em meio ao Rio Taedong que corta a cidade. De fora parece um prédio atrativo, imponente e moderno mas por dentro temos uma realidade bem diferente e decadente. No último andar há um restaurante giratório muito cafona mas com uma bela vista da cidade.
Como a falta de energia é freqüente ficar preso nos elevadores do hotel é algo muito comum e segundo nossos guias, não deveríamos entrar em pânico. Li em um guia de viagem que há indícios de escutas escondidas nos quartos para monitorar os estrangeiros. Devemos ter muito cuidado com o que falamos ou escrevemos. E-mails são reescritos por uma secretaria do Business Center e encaminhados atraves de um endereco norte coreano. Eramos tambem proibidos de deixar o nosso hotel sozinhos e sem autorização. Quem ousaria se arriscar?
Um dinamarquês que viajava em nosso grupo, sem saber, ousou e se deu mal. Em seu quarto no hotel amassou uma cópia do periódico Pyongyang Times cuja capa tinha uma foto do Grande Líder, Kim Il Sung, e a jogou no lixo, não se dando conta da grande ofensa que estava causando. A camareira encaminhou a copia amassada à gerencia e em seguida fomos avisados que nosso grupo deveria deixar o país imediatamente. Após uma longa e burocratica negociação ficou combinado que o dinamarquês faria um pedido formal de desculpas aos norte coreanos e em seguida deixaria sozinho o país. O resto do grupo não teve que pagar por sua má conduta.
Um dos pontos altos da visita ao país é a viagem a cidade de Kaesong, fronteira com a Coréia do Sul, para visitar a DMZ, zona desmilitarizada. Viajamos de ônibus pela deserta Rodovia da Reunificação que liga Pyongyang a Seul. A cada cinco quilômetros há barricadas de concreto que podem bloquear rapidamente a estrada num eventual ataque sul coreano.
Durante a visita a DMZ ficamos frente à frente com os soldados do sul e com o prédio americano responsável pela segurança do lado da Coréia do Sul que vigia minuciosamente os visitantes do lado norte. Há uma casa azul bem no meio da linha de fronteira com duas portas, uma para o norte e outra para o sul. È possível entrar dentro dessa casa, que é usada para encontros e negociações e cruzar a fronteira para o lado sul, mas é claro que a porta de saída esta trancada e fortemente guardada. Em qualquer tentativa de cruzar de um lado para outro o infrator seria fuzilado e geraria um estresse de grandes proporções entre os dois paises.
Logo depois fomos para a cidade de Kaesong onde nos hospedamos num hotel tradicional com camas de tatame onde nos deliciamos com a culinária típica da região. Gostei muito do Kimchi (folhas de alface e repolho fermentadas com muita pimenta). Provei também o Korean Barbecue e em seguida a mais fina iguaria coreana, a famosa sopa de cachorro.
Dia seguinte voltamos a Pyongyang para mais um dia de visitas onde conhecemos o Museu da Guerra. Lá fomos incansavelmente lembrados pelos guias que foram os imperialistas americanos quem começaram a Guerra da Coréia. Fomos expostos aos indícios e provas e as carcaças de bombas mortiferas que dizimaram os coreanos durante a guerra. Visitamos também a Torre Juche que com sua tocha vermelha e dourada simboliza a doutrina do país. Conhecemos tambem outros monumentos e o navio espião americano que foi apreendido na costa da peninsula há vinte anos atrás.
O ponto alto da visita à Coréia do Norte é sem duvida assistir aos Mass Games: um mega espetáculo de luzes, cores e som onde mais de 18.000 ginastas realizam uma coreografia ritmada dentro de um estádio construído especialmente para o evento e que ainda inclui um gigantesco placar humano formado por um mosaico de 3.000 crianças que reproduzem com muita fidelidade as imagens dos grandes lideres do país.
Sem duvidas e um espetáculo impressionante e inesquecível. Os ginastas treinam mais de 12 horas por dia durante anos para poderem se apresentar nesse espetáculo que apesar de belo mais parece uma parada militar. A simetria, fidelidade, hierarquia, respeito e submissão estão em total harmonia e de acordo com os ideais Juche que doutrinam o país. E tambem uma enorme honra para um norte coreano poder se apresentar perante o Grande General Kim Jong Il, que por sua vez não perde um espetáculo.
Geralmente os grupos de turistas que entram na Coréia do Norte de aviao saem do país de trem. É incrivel poder viajar por terra e conhecer melhor o interior desse país tão fechado. No ultimo dia de coreia partimos de Pyongyang em direção a Dandong na fronteira com a China. Pudemos aproveitar as belas paisagens porem nao pudemos sair do vagão especial para turistas em nenhum momento. Antes de cruzar o Rio Yalu que divide a península coreana da China tivemos os passaportes e bagagens checados. Nossas câmeras fotográficas também foram checadas inclusive chip por chip e imagem por imagem. Caso tivéssemos alguma imagem proibida ou tirada sem autorização poderíamos ter as fotos apagadas e a câmera apreendida.
Minutos antes de cruzarmos a fronteira chinesa recebemos de volta nossos celulares. De longe pudemos ver a claridade das luzes dos arranha céus chineses do outro lado do rio. Tivemos a sensacao de estar saindo do passado e voltando para o presente. Para trás daquela cortina de ferro ficava aquele lugar extremamente misterioso, antiquado e proibido.
A Coréia do Norte é conhecida como um lugar esquisito e bizarro que pertence ao Eixo do Mal. Mas por ser tão isolada do resto do mundo é um dos poucos lugares que restam intactos em sua essência sendo essa a rica experiência de uma visita a esse pais.
È um país que possui o comunismo puro em sua alma e é doutrinado pelo Jucheismo, isto é, os norte coreanos são os responsáveis pela sua própria sobrevivência e visam não aceitar a ajuda e auxilio de outras nações.
Embora seja uma viagem inesquecivel, visitar a Coréia do Norte é algo polemico onde muitas vezes não vemos a verdade e a realidade dos fatos mas sim o que lhes é conveniente.
Nome: Coréia do Norte – Republica Popular Democrática da Coréia (DPRK)
Capita: Pyongyang
Idioma: Coreano
Governo: Republica Socialista regida sob a Doutrina Juche.
Presidente Eterno: o Grande Líder, Kim Il Sung
Presidente General: Kim Jong Il
População: 23.8 milhões de habitantes
Moeda: Won
Por Raul Frare