Etiópia


















Como um país tão rico em história e tradições culturais continua sendo um lugar tão pouco visitado?

Mal compreendida e afastada das rotas turísticas convencionais a Etiópia continua sendo sinônimo de guerras e lugar onde crianças subnutridas morrem de fome. As fortes imagens da crise humanitária causada pela seca publicadas nos anos de 2000 e 2002 chocaram profundamente o mundo.

Infelizmente essa é a imagem lembrada pelas pessoas assim como as imagens do Carnaval e Futebol são associadas ao Brasil. Essa má interpretação e preconceito embora sejam negativos tem seus benefícios transformando a viagem ao país em uma grande descoberta e uma agradável surpresa.

Dentre suas atrações históricas destacam-se as fantásticas igrejas esculpidas na pedra em Lalibela datadas do século 12 e 13, os grandiosos castelos de Gonder do século 17, os gigantescos obeliscos de granito em Aksum com mais de 2.000 anos de idade e os antigos monastérios ortodoxos nas ilhas do Lago Tana.

É também no Lago Tana no interior da Etiópia que nasce o Nilo Azul que junto com o Nilo Branco oriundo do Lago Victoria formam o Rio Nilo. As águas do Nilo Azul, cujas cataratas criam um belo cartão postal, correspondem por quase 90% do Nilo que se estende até Egito.

Também conhecida como a Petra da África, Lalibela é o lugar mais fantástico e sagrado da Etiópia. Foi concebida pelo Rei Lalibela para ser uma nova Jerusalém em solo africano acessível a todo o povo etíope longe dos muçulmanos. Cerca de 400 igrejas datadas dos séculos 12 e 13 foram esculpidas nas pedras na região e encontram-se bem conservadas. As mais famosas são a Bet Giyorgis ou Igreja de São Jorge em forma de cruz e a Bet Maryam ou Igreja de Maria construída em homenagem a virgem que é adorada no país.

A Etiópia é o único país da África que não foi colonizado e por isso manteve firme e intacta toda a sua identidade cultural.

O país conserva sua própria e distintiva língua, sua própria bebida e culinária, sua própria igreja, seus santos e até seu próprio calendário.

Com maioria da população cristã-ortodoxa, uma outra parte muçulmana e uma minoria de judeus a Etiópia é um lugar bíblico lar de uma das mais interessantes civilizações do mundo.

Os Falashas são os judeus etíopes descendentes diretos de Menelik, filho do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Segundo a lenda a Rainha de Sabá, cuja dinastia durou cerca de 3.000 anos, foi fazer uma visita de estado ao Rei Salomão em Jerusalém e voltou à Etiópia com o futuro Rei Menelik nos braços. Hoje restam pouquíssimos Falashas na Etiópia e algumas poucas sinagogas perto de Gonder. A maioria deles imigrou para Israel.

Também lugar de famosas descobertas arqueológicas a Etiópia é conhecida como o Berço da Humanidade. Lá foram encontrados os restos fossilizados do mais antigo hominídeo do planeta apelidado de Lucy com mais de 3.2 milhões de anos.

Lucy é o carinhoso nome dado ao esqueleto da nossa mais antiga descendente metade humana metade macaco. Foi uma homenagem à música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds que tocava no campo arqueológico no momento da descoberta. Lucy encontra-se exposta no Museu Nacional de Adis Abeba, capital do país.

Em contraste com seu estereotipo de Terra da Fome a Etiópia destaca-se também por suas exuberantes paisagens, sua vida selvagem e seus diferentes grupos étnicos.

Com suas ricas tradições, sua bela história e seus laços estreitos com o Cristianismo e Judaísmo a Etiópia é um país fascinante que aguarda ansiosamente para ser desbravada.

É um lugar muito mais rico e interessante do que podemos imaginar. É com toda certeza o segredo mais bem guardado da África. Vale a pena visitá-la antes que esse segredo seja descoberto!







Informações e Curiosidades:

O conhecido termo Rastafari originou-se a partir do nome do ultimo monarca da Etiópia, Haile Selassie, que fora corado imperador em 1930 e reinou até 1974. Ras significa príncipe e Tafari era seu nome antes de ser coroado. Identificando-se com o monarca etíope e com a própria Etiópia como um estado africano independente livre do colonialismo criou-se na Jamaica uma nova religião acreditando-se que o novo imperador etíope era a encarnação de Deus. Atualmente os Rastas aguardam pacientemente a restauração da monarquia na Etiópia.

Amárico é a língua oficial do país e pertence à mesma família das línguas semíticas como o hebraico, o árabe e o assírio. A moeda local é o Birr. A melhor época para visitar o país é de Outubro a Janeiro após a estação das chuvas.

Minha sugestão é fazer o circuito histórico começando em Adis em seguida visitando os monastérios ortodoxos no Lago Tana próximos a Bahar Dar e as Cataratas do Rio Nilo Azul. Depois uma visita às cidades de Gonder para ver os castelos medievais, Lalibela para ver as igrejas antigas e Aksum para ver obeliscos do Império Aksumita.

Devido à geografia montanhosa do país recomendo fazer alguns dos trechos de avião. As acomodações fora de Adis são muito simples e baratas com exceção de alguns hotéis do governo.

Acreditem ou não o país possue uma das melhores companhias aéreas da África com uma frota moderna e uma excelente malha de vôos domésticos e internacionais com um ótimo serviço de bordo. A rede hoteleira apesar de ainda pouco desenvolvida orgulha-se de ter o mais luxuoso hotel do continente africano, o Sheraton de Adis Abeba, um verdadeiro palácio.

A comida local é picante e exótica. Não deixem de experimentar a Injera, uma panqueca com especiarias e o Tej, vinho local feito de mel. A cerimônia do café não deve ser perdida onde os grãos são torrados e moídos na hora. O café etíope é considerado um dos mais saborosos e caros mundos, não na Etiópia.

A Etiópia conhecida também como Abissínia fica na região do Chifre da África, no Leste, perto da Somália, Sudão e Eritréia. Para se chegar lá pode-se voar via Frankfurt, Roma ou Dubai. Vistos são emitidos no desembarque mediante pagamento de taxa e atestado de vacina de febre amarela.

Por Raul Frare









Madagascar


















A África é selvagem. Viajar sozinho por lá não é das tarefas mais fáceis. A falta de infra-estrutura, segurança e a burocracia fazem com que tudo seja uma experiência árdua porem inesquecível. As doze horas de espera numa fronteira ou as quinze horas de viagem num ônibus local abarrotado de gente e dividindo assento com galinhas, porcos e tudo mais são facilmente recompensadas pelas belas paisagens e pelo incrível cenário da vida selvagem dos seus grandes parques nacionais.

Depois de um mês viajando pelo sul do continente cruzando as fronteiras entre o Moçambique, Zimbábue, Zâmbia e Botswana finalmente chegou o tão esperado momento da minha viagem: de Johanesburgo voei diretamente para Antananarivo, a porta de entrada de Madagascar e capital do país.

Madagascar, um nome que sugere exotismo, é um destino fora da rota turística convencional. Talvez aí o porquê de seu charme e originalidade. Lá parecemos estar parados no tempo tendo uma sensação de imobilismo e tranqüilidade. Por ser tão pouco explorada é um lugar espetacular e apaixonante

É uma ilha de contrastes com lugares mágicos e misteriosos onde redescobrimos as sensações de espaço e liberdade. Dos seus desertos ao sul à suas montanhas, florestas tropicais e praias paradisíacas, um imenso playground com cores tropicais e atmosfera cinematográfica.

Cortada fora do continente africano a milhões de anos Madagascar é uma ilha que por estar geograficamente isolada possui um ecossistema único e frágil com flora e fauna darwinianas. É um importante repositório de biodiversidade com suas arvores gigantes, os Baobabs, e seus simpáticos lêmures, animais ancestrais aos macacos.

A cultura malgaxe é como sua natureza: rica, vibrante e variada. O país foi colonizado durante anos pelos franceses porem conseguiu preservar sua cultura quase que intocavelmente. Seu povo é também em geral muito simpático e amigável.

Cheguei em Tana (abreviação da capital, Antananarivo), uma cidade situada no meio das montanhas no coração da ilha. Construída amontoada em meio a um vale e cheia de ruelas de pedra possui um trânsito caótico infestado de Renault 4, o carrinho simpático que é a paixão nacional. Todos ali falam o malgaxe e o francês então a comunicação não fica muito difícil. Os mercados de rua estão por todos os lados e os perfumes das especiarias, principalmente a vanila (baunilha), deixam a cidade com um aroma muito especial.

As estradas do país são deterioradas pelas chuvas por isso a melhor maneira de se locomover entre longas distancias é de avião. As opções de hospedagem são das mais variadas e vão do rústico ao sofisticado. Para aqueles que buscam sofisticação Madagascar oferece alguns finos resorts e pequenos hotéis de charme podendo-se experimentar as belas paisagens do país com muito estilo e conforto.

Voei até Nosy Be, uma ilha tropical ao noroeste do país envolta por uma barreira de corais e com lindas praias e florestas. Que lugar! Hospedei-me em Ambatoloaka, uma vila de pescadores com uma praia de água azul turquesa de tirar o fôlego.

O hotel Chez Gérard et Francine é sem dúvida a melhor opção: um antigo casarão creolo-francês com uma imensa varanda de madeira e jardim privativo. Todas as nove suítes são de frente para a praia e o serviço impecável: café da manha na sacada do quarto, massagens na praia e demais mordomias. Na hora do almoço pode-se ainda escolher as lagostas e peixes frescos recém pescados diretamente dos barcos de pescadores que serão preparados pelo chef francês do hotel.

As opções de diversão são variadas: de mergulhos submarinos aos passeios pelas praias e ilhas da região como Nosy Tanikely e Nosy Iranja além de visitas aos parques nacionais para ver os lêmures como em Nosy Komba.

Em Nosy Be o aroma das especiarias está sempre presente no ar, seja do perfume da flor de Ylang-Ylang, da vanila, cana-de-açúcar, canela e pimenta seca. Todos os domingos na praia de Andilana, a mais bonita e remota da ilha, as pessoas juntam-se na barraca do Chez Lou Lou (um vietnamita radicado na ilha) para comer o famoso brunch de frutos do mar, all you can eat por apenas 5 euros. Imperdível!

Perto de Nosy Be estão as ilhas paradisíacas de Nosy Iranja de paisagem pitoresca. As duas pequeninas ilhas privadas praticamente desertas são conectadas por um banco de areia branca visível durante a baixa de maré. Ali está situado um dos hotéis mais exclusivos da África, o Iranja Lodge, que oferece muito luxo e privacidade para quem está disposto a pagar mais de 1.000 euros por uma noite. O hotel é construído em madeira e materiais naturais em total harmonia com a natureza. Os dez bangalôs estão dispostos em frente ao mar e oferecem todo o conforto como ar condicionado, telefone via satélite, cd player e demais mordomias. O traslado do aeroporto ao hotel é feito de helicóptero.

Outra opção para quem busca luxo e sofisticação é o Anjajavy l'Hôtel situado em Mahajanga numa península entre praias desertas e florestas tropicais dentro de um parque nacional. Por ser um Relais Chateaux oferece todos os mimos possíveis além de uma culinária pra lá de bacana.

Rumo ao extremo norte de Madagascar cheguei em Diego Suarez, cidade fundada por um antigo navegador português na rota para a Índia. Dizem os locais que a baía de Diego Suarez ou Antsiranana era refúgio de muitos piratas e que alguns deles chegaram a esconder seus tesouros na região. Pode se encontrar ali algumas espécies de Baobabs, a árvore gigante símbolo do país. O Parc National de Montagne d´Ambre na mesma região abriga as mais variadas espécies de lêmures e camaleões e vale uma visita.

Madagascar é um dos paises mais pobres do mundo. O turismo, apesar de ainda muito pouco explorado, vem aos poucos crescendo a cada dia e com isso a esperança do povo malgaxe que depende enormemente das divisas deixadas pelos visitantes. O custo lá é muito baixo: acomodação varia entre 4 e 10 euros para um lugar budget e 60 e 100 euros para um hotel mais confortável (a exceção são três hotéis super luxuosos que custam bem mais que isso). Alimentação varia entre 3 e 10 euros. Euros e dólares americanos são aceitos em praticamente todos os lugares e cartões de crédito em alguns estabelecimentos. A ilha é praticamente segura com algumas exceções em Antananarivo, capital do país, onde se deve ter cautela ao caminhar à noite pelas ruas.

Informações Gerais:

Nome: República de Madagascar (Repoblikan Madagasiraka)

População: 17 milhões

Área: 587.041 Km²

Capital: Antananarivo (Tana)

Idiomas oficiais: Malgaxe e Francês

Religiões: Cristianismo e Islamismo

Moeda: Franco Malgaxe

Indústria: Agricultura

Vistos: obrigatório para todos os visitantes. Os vistos são válidos por até três meses da data de entrada e podem ser comprados no aeroporto de Antananarivo após o desembarque mediante pagamento de taxa + foto 3x4. É necessário também Certificado Internacional de Vacina contra Febre Amarela para brasileiros.

Quando ir: a melhor época para conhecer o país é de Abril a Outubro (inverno do hemisfério sul). Na baixa estação, verão do hemisfério sul (novembro a março), o clima é muito quente e úmido, conhecido também como a estação do furacão e das chuvas.

Como chegar lá: voando Air France ou Air Madagascar a partir de Paris ou voando SAA (South African Airways) + Air Madagascar via Johanesburgo.

Por Raul Frare