Madagascar


















A África é selvagem. Viajar sozinho por lá não é das tarefas mais fáceis. A falta de infra-estrutura, segurança e a burocracia fazem com que tudo seja uma experiência árdua porem inesquecível. As doze horas de espera numa fronteira ou as quinze horas de viagem num ônibus local abarrotado de gente e dividindo assento com galinhas, porcos e tudo mais são facilmente recompensadas pelas belas paisagens e pelo incrível cenário da vida selvagem dos seus grandes parques nacionais.

Depois de um mês viajando pelo sul do continente cruzando as fronteiras entre o Moçambique, Zimbábue, Zâmbia e Botswana finalmente chegou o tão esperado momento da minha viagem: de Johanesburgo voei diretamente para Antananarivo, a porta de entrada de Madagascar e capital do país.

Madagascar, um nome que sugere exotismo, é um destino fora da rota turística convencional. Talvez aí o porquê de seu charme e originalidade. Lá parecemos estar parados no tempo tendo uma sensação de imobilismo e tranqüilidade. Por ser tão pouco explorada é um lugar espetacular e apaixonante

É uma ilha de contrastes com lugares mágicos e misteriosos onde redescobrimos as sensações de espaço e liberdade. Dos seus desertos ao sul à suas montanhas, florestas tropicais e praias paradisíacas, um imenso playground com cores tropicais e atmosfera cinematográfica.

Cortada fora do continente africano a milhões de anos Madagascar é uma ilha que por estar geograficamente isolada possui um ecossistema único e frágil com flora e fauna darwinianas. É um importante repositório de biodiversidade com suas arvores gigantes, os Baobabs, e seus simpáticos lêmures, animais ancestrais aos macacos.

A cultura malgaxe é como sua natureza: rica, vibrante e variada. O país foi colonizado durante anos pelos franceses porem conseguiu preservar sua cultura quase que intocavelmente. Seu povo é também em geral muito simpático e amigável.

Cheguei em Tana (abreviação da capital, Antananarivo), uma cidade situada no meio das montanhas no coração da ilha. Construída amontoada em meio a um vale e cheia de ruelas de pedra possui um trânsito caótico infestado de Renault 4, o carrinho simpático que é a paixão nacional. Todos ali falam o malgaxe e o francês então a comunicação não fica muito difícil. Os mercados de rua estão por todos os lados e os perfumes das especiarias, principalmente a vanila (baunilha), deixam a cidade com um aroma muito especial.

As estradas do país são deterioradas pelas chuvas por isso a melhor maneira de se locomover entre longas distancias é de avião. As opções de hospedagem são das mais variadas e vão do rústico ao sofisticado. Para aqueles que buscam sofisticação Madagascar oferece alguns finos resorts e pequenos hotéis de charme podendo-se experimentar as belas paisagens do país com muito estilo e conforto.

Voei até Nosy Be, uma ilha tropical ao noroeste do país envolta por uma barreira de corais e com lindas praias e florestas. Que lugar! Hospedei-me em Ambatoloaka, uma vila de pescadores com uma praia de água azul turquesa de tirar o fôlego.

O hotel Chez Gérard et Francine é sem dúvida a melhor opção: um antigo casarão creolo-francês com uma imensa varanda de madeira e jardim privativo. Todas as nove suítes são de frente para a praia e o serviço impecável: café da manha na sacada do quarto, massagens na praia e demais mordomias. Na hora do almoço pode-se ainda escolher as lagostas e peixes frescos recém pescados diretamente dos barcos de pescadores que serão preparados pelo chef francês do hotel.

As opções de diversão são variadas: de mergulhos submarinos aos passeios pelas praias e ilhas da região como Nosy Tanikely e Nosy Iranja além de visitas aos parques nacionais para ver os lêmures como em Nosy Komba.

Em Nosy Be o aroma das especiarias está sempre presente no ar, seja do perfume da flor de Ylang-Ylang, da vanila, cana-de-açúcar, canela e pimenta seca. Todos os domingos na praia de Andilana, a mais bonita e remota da ilha, as pessoas juntam-se na barraca do Chez Lou Lou (um vietnamita radicado na ilha) para comer o famoso brunch de frutos do mar, all you can eat por apenas 5 euros. Imperdível!

Perto de Nosy Be estão as ilhas paradisíacas de Nosy Iranja de paisagem pitoresca. As duas pequeninas ilhas privadas praticamente desertas são conectadas por um banco de areia branca visível durante a baixa de maré. Ali está situado um dos hotéis mais exclusivos da África, o Iranja Lodge, que oferece muito luxo e privacidade para quem está disposto a pagar mais de 1.000 euros por uma noite. O hotel é construído em madeira e materiais naturais em total harmonia com a natureza. Os dez bangalôs estão dispostos em frente ao mar e oferecem todo o conforto como ar condicionado, telefone via satélite, cd player e demais mordomias. O traslado do aeroporto ao hotel é feito de helicóptero.

Outra opção para quem busca luxo e sofisticação é o Anjajavy l'Hôtel situado em Mahajanga numa península entre praias desertas e florestas tropicais dentro de um parque nacional. Por ser um Relais Chateaux oferece todos os mimos possíveis além de uma culinária pra lá de bacana.

Rumo ao extremo norte de Madagascar cheguei em Diego Suarez, cidade fundada por um antigo navegador português na rota para a Índia. Dizem os locais que a baía de Diego Suarez ou Antsiranana era refúgio de muitos piratas e que alguns deles chegaram a esconder seus tesouros na região. Pode se encontrar ali algumas espécies de Baobabs, a árvore gigante símbolo do país. O Parc National de Montagne d´Ambre na mesma região abriga as mais variadas espécies de lêmures e camaleões e vale uma visita.

Madagascar é um dos paises mais pobres do mundo. O turismo, apesar de ainda muito pouco explorado, vem aos poucos crescendo a cada dia e com isso a esperança do povo malgaxe que depende enormemente das divisas deixadas pelos visitantes. O custo lá é muito baixo: acomodação varia entre 4 e 10 euros para um lugar budget e 60 e 100 euros para um hotel mais confortável (a exceção são três hotéis super luxuosos que custam bem mais que isso). Alimentação varia entre 3 e 10 euros. Euros e dólares americanos são aceitos em praticamente todos os lugares e cartões de crédito em alguns estabelecimentos. A ilha é praticamente segura com algumas exceções em Antananarivo, capital do país, onde se deve ter cautela ao caminhar à noite pelas ruas.

Informações Gerais:

Nome: República de Madagascar (Repoblikan Madagasiraka)

População: 17 milhões

Área: 587.041 Km²

Capital: Antananarivo (Tana)

Idiomas oficiais: Malgaxe e Francês

Religiões: Cristianismo e Islamismo

Moeda: Franco Malgaxe

Indústria: Agricultura

Vistos: obrigatório para todos os visitantes. Os vistos são válidos por até três meses da data de entrada e podem ser comprados no aeroporto de Antananarivo após o desembarque mediante pagamento de taxa + foto 3x4. É necessário também Certificado Internacional de Vacina contra Febre Amarela para brasileiros.

Quando ir: a melhor época para conhecer o país é de Abril a Outubro (inverno do hemisfério sul). Na baixa estação, verão do hemisfério sul (novembro a março), o clima é muito quente e úmido, conhecido também como a estação do furacão e das chuvas.

Como chegar lá: voando Air France ou Air Madagascar a partir de Paris ou voando SAA (South African Airways) + Air Madagascar via Johanesburgo.

Por Raul Frare