Irã














Rotulado como integrante do Eixo do Mal pelo presidente dos EUA, George W Bush, e graças à propaganda negativa da mídia ocidental somada a falta de informação das pessoas o nome Irã nos sugere um lugar perigoso que conspira contra o ocidente.

Porém ao visitarmos o Irã percebemos que estamos equivocados e presenciamos uma realidade totalmente diferente: um país sensual, seguro e generoso que recebe seus turistas de braços abertos. Os iranianos são amigáveis, hospitaleiros, cultos e educados e demonstram um grande interesse pelo ocidente. Não é à toa que escritores estrangeiros como Paulo Coelho fazem imenso sucesso e viraram celebridades por lá.

O Irã originou-se a partir do Império Persa, uma das maiores civilizações que o mundo já conheceu, fundado pelo imperador Ciro, o Grande. As ruínas da cidade de Persepolis, antigo centro da civilização persa, são prova disso e nos maravilham até os dias de hoje. Sua cultura foi absorvida e resistida através dos tempos e a língua persa permanece praticamente inalterada desde sua criação há mais de 2.500 anos.

Até 1979 o Irã era governado pelo xá Reza Pahlevi, uma espécie de rei, num governo autoritário que se propunha a modernizar o país. Além disso, o xá era um fiel aliado dos EUA no Oriente Médio. Essa modernização implicava numa transformação dos costumes, cada vez mais próxima dos ocidentais e isso desagradava a cúpula religiosa, visto que o Irã é um país de maioria xiita.

Esses fatos levaram em 1979 a Revolução Islâmica, onde forças xiitas leais ao aiatolá Khomeini depuseram o governo do xá e criaram um governo xiita enfraquecendo as relações com o mundo ocidental e modificando drasticamente os costumes do país. O país adotou então a teocracia, uma forma de governo controlado por líderes religiosos, os aiatolás, que asseguram que as leis e praticas sociais estão de acordo com os princípios islâmicos.

A caça ao escritor Salman Rushdie que criticou o Islã em seus Versos Satânicos e a reação às charges dinamarquesas são alguns exemplos dessa política que volta e meia põe em cheque a reputação do Irã com o mundo ocidental.

Após a morte de Khomeini em 1989 e o fim da sangrenta guerra com o Iraque o Irã voltou a abrir-se para o turismo internacional. Mesmo assim turistas ocidentais, principalmente as mulheres, necessitam se familiarizar com algumas regras de conduta ao visitar o país, tais como usar o véu em público e não mostrar as pernas e pescoço.

Atualmente o país reaparece nos holofotes internacionais pela batalha diplomática que trava com a ONU sobre suas intenções nucleares que segundo o Irã são meramente para fins de geração de energia. Este impasse está irritando os EUA e a Europa e poderá resultar em uma nova guerra no Oriente Médio nos próximos dias.

Conhecida como a Los Angeles do Oriente Médio Teerã, a capital do país, é um lugar que impressiona. Possui um ótimo sistema de metrô, grandes universidades, arranha-céus e free-ways que tentam aliviar o trânsito de seus 12 milhões de habitantes. A cidade está aos pés das belas montanhas Alborz que separam a cidade do Mar Cáspio. Os mais ricos vivem na parte alta da cidade próxima as montanhas e o mais pobres na parte baixa.

O Palácio Branco, antiga residência do xá Reza Pahlevi na parte alta da cidade foi transformado em museu e é possível visitá-lo, podendo-se ver a coleção de tapetes persas e vestidos de Farah Dibah que fora expulsa do Irã junto com o xá após a Revolução Islâmica. No inverno é possível esquiar nas montanhas próximas a Teerã. As mulheres podem fazê-lo, mas obviamente não devem tirar o véu.

Esfahan, a antiga capital, é a cidade mais charmosa do Irã. Possui suntuosas mesquitas, minaretes, praças e palácios, verdadeiras jóias da arquitetura islâmica tombadas pela Unesco como patrimônio da humanidade.

Próximas de Shiraz estão as ruínas das cidades de Persepolis, a antiga capital do Império Persa, e da vizinha Pasargada onde está a tumba de Ciro, o Grande. São dois lugares espetaculares que por si só já valem a viagem até o Irã.

A cidade de Yazd ao centro do país é o berço do Zoroastrismo, a religião monoteísta mais antiga do mundo fundada por Zaratustra e que além de preceder teve forte influência no Judaísmo, Cristianismo e no Islã. A filosofia de Zaratustra foi a primeira a postular um único Deus criador do universo e as noções do bem e do mal, do paraíso e do inferno. Yazd é sem duvida um lugar interessantíssimo especialmente para aqueles que querem conhecer mais dessa fascinante religião.

A antiga cidade medieval de Arg-e Bam inteira construída de argila era umas das atrações mais bem conservadas de todo o Irã. Seus 2.000 anos de história foram destruídos no mortífero terremoto de 2003 que devastou o sudeste do país e dizimou a vida de mais de 40.000 iranianos.

Viajar pelo Irã é muito barato devido ao baixo preço do petróleo no país. Bilhetes de avião e de ônibus costumam custar quase o mesmo preço. Além de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo e ser internacionalmente conhecido pelo seu pistachio e caviar o Irã vem chamando a atenção do mundo pela qualidade de seu cinema. Diretores como Mohsen Makhmalbaf tiveram filmes premiados em Cannes e indicações ao Oscar nos últimos anos.

Dentre outras curiosidades do país destaca-se o pinglish, uma mistura de inglês com persa que os jovens iranianos utilizam para compor suas mensagens enviadas pelo celular. Devido as sanções comerciais impostas pelos EUA ao Irã e a política antiamericana não existe Coca-Cola nem Mc Donald´s no país. Dessa maneira somos obrigados a degustar os deliciosos pratos da cozinha persa. Devido às severas leis islâmicas o consumo de bebidas alcoólicas é proibido no país.

Informações Gerais


Nome: República Islâmica do Irã

Capital: Teerã

Área: 1.648.000 Km2

População: 70 milhões

Língua oficial: persa (farsi)

Religião: 90% muçulmanos xiitas, 9% muçulmanos sunitas e 1% outras religiões.

Moeda: Rial Iraniano. A maior cédula equivale a poucos mais de um dólar e ironicamente dólares americanos são aceitos em todo o país.

Visto: visto de entrada necessário mediante autorização expedida pelo Ministério das Relações Exteriores Iraniano. È um processo lento e burocrático e o passaporte não pode conter visto ou carimbo de entrada em Israel. Brasileiros que chegam via aerea no aeroporto de Teera podem obter o visto no desembarque. Confirmar no Consulado Iraniano.

Como chegar: a maneira mais fácil é voando até alguma capital européia como Frankfurt, Paris ou Londres e de lá voando até Teerã. Ou via Dubai com a Emirates Airlines.

Quando ir: invernos com temperaturas abaixo de zero e muita neve e verão com temperaturas muito altas. As melhores épocas são outono e primavera.

Segurança: de um modo geral o Irã é um país seguro para se viajar. Devem-se respeitar as regras de conduta islâmica ao visitar o país.

Acomodação: os preços variam entre US$ 2 para um hotel mais simples e US$ 110 para um hotel de luxo.

Alimentação: os preços dos pratos variam entre US$ 1 e US$ 10.

Preço litro de gasolina: US$ 0,10. O Irã tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

Preço litro de água mineral: US$ 0,25

Preço lata de refrigerante: US$ 0,20


Por Raul Frare