Sossusvlei, Namibia









Situado no meio do deserto de Kalahari entre gigantescas dunas de areia o Sossusvlei é a principal atração da Namibia.

Formando uma paisagem surreal, as dunas alaranjadas do Sossusvlei são as mais altas da África e estão em constante movimento. 

Dentro do complexo de dunas está também o Deadvlei, ou Vale da Morte, que mais parece uma tela do Salvador Dali.

Encontram-se ali numa pequena panela, em meio as dunas, muitas árvores petrificadas de mais de 900 anos que devido a falta de umidade nunca conseguiram se decompor. 

A melhor hora para visita-las é no nascer do sol, quando a luz cria um incrível contraste de cores entre as dunas.

Há muitas opções de hospedagem na região que variam de simples acampamentos até lodges mais sofisticados.

Dentre os melhores, está o Sossusvlei Desert Lodge que fica dentro de uma reserva privada bem próximo a entrada do parque.

A melhor maneira de se chegar lá é voando até Windhoek via Johannesburg com a South African. De Windhoek há vôos diretos para lá em pequenas aeronaves. 

Não é preciso visto de entrada para brasileiros e a melhor época do ano é de Junho a Setembro, inverno no hemisfério sul.




Coréia do Norte (DPRK)





















Curiosidade: Coreia do Norte x Futebol
Em 1966 a Coreia do Norte participou da sua primeira e unica Copa do Mundo sediada na Inglaterra. Ela supreendeu o mundo ao vencer a Italia por 1x0 chegando as quartas de finais. Porem mesmo tendo feito os 3 primeiros gols na partida mais espetacular da Copa acabou sendo eliminada por Portugal num placar de 3x5. O time norte coreano deixou a Inglaterra como campeao porem nunca mais se teve noticias de seus jogadores. A Coreia do Norte depois de 44 anos voltara a jogar na Copa do Mundo da Africa do Sul e enfrentara o Brasil no dia 15 de Junho em Johannesburgo. Com certeza sera um jogo muito curiosos e emocionante para todos nos.
Viagem a Coreia do Norte
Acordei durante uma turbulencia no meio do vôo que me levava de NY a Beijing. Estavamos cruzando o Polo Norte e era possível ver da janela a imensidão branca da planice polar. O sol, presença constante naquele horizonte, iluminava aquela paisagem gelada e refletia seus raios nas asas metálicas do avião. Faltavam ainda sete horas de vôo e eu não conseguia parar de pensar na idéia de estar a poucos passos de realizar um grande sonho, conhecer a Coréia do Norte.
No trajeto do aeroporto ao meu hotel que ficava perto da Praça da Paz Celestial eu quase não consegui reconhecer a Beijing em que estive há 20 anos atrás. Estava tudo diferente e mudado com uma forte influencia capitalista.
Beijing estava num ritmo acelerado de obras com prédios e quarteirões velhos sendo demolidos dando espaço a construções novas e modernas. Uma verdadeira corrida contra o tempo, afinal as Olimpíadas estavam a poucos meses dali.
O mais estranho era que ate aquele momento, ha três dias da minha suposta visita ao pais mais fechado do mundo eu ainda não tinha a confirmação de que estaria autorizado a viajar. As autoridades norte-coreanas e o consulado em Beijing embora recebam as informações dos pretendentes a turistas com meses de antecedência geralmente expedem os vistos de entrada poucos dias antes da suposta viagem. Há muitos casos de pessoas que vão ate a China e voltam pra casa frustrados sem ter conseguido entrar na Coréia do Norte.
Obtive a resposta positiva um dia antes da partida e em seguida fui apresentado aos demais viajantes que formavam o meu grupo. Muitos europeus, alguns australianos e como já imaginava nenhum americano. Estes últimos, considerados pelos norte coreanos como imperialistas e inimigos eram ate pouco tempo atras proibidos de entrar no país. Durante o “briefing” fomos todos informados do que estariamos autorizados a fazer e a não fazer durante a nossa visita. Aprendemos um pouco do protocolo e das delicadas situações em que poderíamos nos encontrar.
O velho avião da companhia norte coreana Air Koryo de fabricação russa destoava-se dos demais no pátio do aeroporto de Beijing transformando-se num bizarro cartão de visitas. Havia muito mais passageiros que assentos disponíveis porem inesperadamente fomos todos acomodados, alguns dividindo o mesmo assento e logo em seguida o vôo finalmente decolou em direção a Pyongyang.
Durante o vôo tivemos o primeiro contato com alguns norte coreanos, todos integrantes de uma pequena minoria, geralmente pessoas do alto escalão ligadas ao governo e que sao autorizadas a sair do pais em missões oficiais. Todos usavam ternos escuros e um broche no peito com a imagem de seu pai e Grande Líder, Kim Il Sung.
A Republica Popular Democrática da Coréia, tradução de DPRK, como gosta de ser chamada a Coréia do Norte, encontra-se ate os dias de hoje oficialmente em guerra com sua irmã, a Coréia do Sul. Nunca foi assinado um acordo de paz entre elas. Apos a Guerra a península coreana foi dividida em duas partes atraves do paralelo 38. De um lado ficou o sul capitalista protegido pelos Estados Unidos e de outro, numa isolação jamais vista, o norte radicalmente comunista e protegido pela Rússia e China. A linha de fronteira entre as duas Coréias é a zona mais armada do planeta e conta com a presença de milhares de soldados em ambos os lados prontos para entrar em guerra a qualquer momento
Aterrisamos em Pyongyang numa tarde de Outono e enquanto o avião taxiava em frente ao velho terminal de passageiros uma grande imagem de Kim Il Sung nos dava as boas vindas. Fiquei triste em descobrir que não teríamos nossos passaportes carimbados, pois estavamos viajando num “Group Visa”, essa talvez a única opção para quem não viaja a negócios e gostaria de conhecer o pais como turista.
Fomos revistados e obrigados a entregar nossos telefones celulares para a nossa guia norte coreana antes de passar pela alfândega. Só voltaríamos a vê-los nas ultimas horas de viagem minutos antes de cruzar a fronteira para Dandong na China. Câmeras fotográficas são permitidas e filmadoras entram com restrições, porem notebooks nem pensar, devem ser deixados em Beijing.
Do aeroporto fomos levados diretamente a grande estatua de bronze de Kim Il Sung no alto da cidade onde fomos obrigados a reverenciar o Grande Líder do pais. No caminho passamos pelo gigantesco Arco do Triunfo onde paramos para tirar algumas fotos. A Coréia do Norte e uma zona foto sensível e devemos sempre perguntar antes de fotografar. Fotos tiradas da janela do nosso ônibus ou sem autorização eram proibidas e poderiam nos levar a expulsão. Eramos constantemente vigiados por nossos guias e mediante qualquer suspeita de violação nos alertavam e nos chamavam a atenção.
As avenidas de Pyongyang são largas e vazias com pouquíssimos veículos. Apenas alguns oficiais do governo e diplomatas estrangeiros possuem carros. Mesmo assim desnecessariamente belas guardas de transito controlam os principais cruzamentos da cidade com uma coreografia cômica e robótica. A cidade conta com um otimo sistema de transporte publico formado por uma rede de metros e ônibus urbanos.
As estações de metro são suntuosas e tentam se equiparar às de Moscou. Os únicos outdoors que podemos encontrar são aqueles com imagens de Kim Il Sung e seu filho e Kim Jong Il e alguns outros com propaganda comunista do governo.
Pyongyang conta com dois hotéis para receber estrangeiros sendo um para turistas e outro para viajantes a negocio. Fomos encaminhados para o Yanggakdo International Hotel que fica estrategicamente isolado na ilha de Yanggak em meio ao Rio Taedong que corta a cidade. De fora parece um prédio atrativo, imponente e moderno mas por dentro temos uma realidade bem diferente e decadente. No último andar há um restaurante giratório muito cafona mas com uma bela vista da cidade.
Como a falta de energia é freqüente ficar preso nos elevadores do hotel é algo muito comum e segundo nossos guias, não deveríamos entrar em pânico. Li em um guia de viagem que há indícios de escutas escondidas nos quartos para monitorar os estrangeiros. Devemos ter muito cuidado com o que falamos ou escrevemos. E-mails são reescritos por uma secretaria do Business Center e encaminhados atraves de um endereco norte coreano. Eramos tambem proibidos de deixar o nosso hotel sozinhos e sem autorização. Quem ousaria se arriscar?
Um dinamarquês que viajava em nosso grupo, sem saber, ousou e se deu mal. Em seu quarto no hotel amassou uma cópia do periódico Pyongyang Times cuja capa tinha uma foto do Grande Líder, Kim Il Sung, e a jogou no lixo, não se dando conta da grande ofensa que estava causando. A camareira encaminhou a copia amassada à gerencia e em seguida fomos avisados que nosso grupo deveria deixar o país imediatamente. Após uma longa e burocratica negociação ficou combinado que o dinamarquês faria um pedido formal de desculpas aos norte coreanos e em seguida deixaria sozinho o país. O resto do grupo não teve que pagar por sua má conduta.
Um dos pontos altos da visita ao país é a viagem a cidade de Kaesong, fronteira com a Coréia do Sul, para visitar a DMZ, zona desmilitarizada. Viajamos de ônibus pela deserta Rodovia da Reunificação que liga Pyongyang a Seul. A cada cinco quilômetros há barricadas de concreto que podem bloquear rapidamente a estrada num eventual ataque sul coreano.
Durante a visita a DMZ ficamos frente à frente com os soldados do sul e com o prédio americano responsável pela segurança do lado da Coréia do Sul que vigia minuciosamente os visitantes do lado norte. Há uma casa azul bem no meio da linha de fronteira com duas portas, uma para o norte e outra para o sul. È possível entrar dentro dessa casa, que é usada para encontros e negociações e cruzar a fronteira para o lado sul, mas é claro que a porta de saída esta trancada e fortemente guardada. Em qualquer tentativa de cruzar de um lado para outro o infrator seria fuzilado e geraria um estresse de grandes proporções entre os dois paises.
Logo depois fomos para a cidade de Kaesong onde nos hospedamos num hotel tradicional com camas de tatame onde nos deliciamos com a culinária típica da região. Gostei muito do Kimchi (folhas de alface e repolho fermentadas com muita pimenta). Provei também o Korean Barbecue e em seguida a mais fina iguaria coreana, a famosa sopa de cachorro.
Dia seguinte voltamos a Pyongyang para mais um dia de visitas onde conhecemos o Museu da Guerra. Lá fomos incansavelmente lembrados pelos guias que foram os imperialistas americanos quem começaram a Guerra da Coréia. Fomos expostos aos indícios e provas e as carcaças de bombas mortiferas que dizimaram os coreanos durante a guerra. Visitamos também a Torre Juche que com sua tocha vermelha e dourada simboliza a doutrina do país. Conhecemos tambem outros monumentos e o navio espião americano que foi apreendido na costa da peninsula há vinte anos atrás.
O ponto alto da visita à Coréia do Norte é sem duvida assistir aos Mass Games: um mega espetáculo de luzes, cores e som onde mais de 18.000 ginastas realizam uma coreografia ritmada dentro de um estádio construído especialmente para o evento e que ainda inclui um gigantesco placar humano formado por um mosaico de 3.000 crianças que reproduzem com muita fidelidade as imagens dos grandes lideres do país.
Sem duvidas e um espetáculo impressionante e inesquecível. Os ginastas treinam mais de 12 horas por dia durante anos para poderem se apresentar nesse espetáculo que apesar de belo mais parece uma parada militar. A simetria, fidelidade, hierarquia, respeito e submissão estão em total harmonia e de acordo com os ideais Juche que doutrinam o país. E tambem uma enorme honra para um norte coreano poder se apresentar perante o Grande General Kim Jong Il, que por sua vez não perde um espetáculo.
Geralmente os grupos de turistas que entram na Coréia do Norte de aviao saem do país de trem. É incrivel poder viajar por terra e conhecer melhor o interior desse país tão fechado. No ultimo dia de coreia partimos de Pyongyang em direção a Dandong na fronteira com a China. Pudemos aproveitar as belas paisagens porem nao pudemos sair do vagão especial para turistas em nenhum momento. Antes de cruzar o Rio Yalu que divide a península coreana da China tivemos os passaportes e bagagens checados. Nossas câmeras fotográficas também foram checadas inclusive chip por chip e imagem por imagem. Caso tivéssemos alguma imagem proibida ou tirada sem autorização poderíamos ter as fotos apagadas e a câmera apreendida.
Minutos antes de cruzarmos a fronteira chinesa recebemos de volta nossos celulares. De longe pudemos ver a claridade das luzes dos arranha céus chineses do outro lado do rio. Tivemos a sensacao de estar saindo do passado e voltando para o presente. Para trás daquela cortina de ferro ficava aquele lugar extremamente misterioso, antiquado e proibido.
A Coréia do Norte é conhecida como um lugar esquisito e bizarro que pertence ao Eixo do Mal. Mas por ser tão isolada do resto do mundo é um dos poucos lugares que restam intactos em sua essência sendo essa a rica experiência de uma visita a esse pais.
È um país que possui o comunismo puro em sua alma e é doutrinado pelo Jucheismo, isto é, os norte coreanos são os responsáveis pela sua própria sobrevivência e visam não aceitar a ajuda e auxilio de outras nações.
Embora seja uma viagem inesquecivel, visitar a Coréia do Norte é algo polemico onde muitas vezes não vemos a verdade e a realidade dos fatos mas sim o que lhes é conveniente.
Nome: Coréia do Norte – Republica Popular Democrática da Coréia (DPRK)
Capita: Pyongyang
Idioma: Coreano
Governo: Republica Socialista regida sob a Doutrina Juche.
Presidente Eterno: o Grande Líder, Kim Il Sung
Presidente General: Kim Jong Il
População: 23.8 milhões de habitantes
Moeda: Won
Por Raul Frare

Madagascar


















A África é selvagem. Viajar sozinho por lá não é das tarefas mais fáceis. A falta de infra-estrutura, segurança e a burocracia fazem com que tudo seja uma experiência árdua porem inesquecível. As doze horas de espera numa fronteira ou as quinze horas de viagem num ônibus local abarrotado de gente e dividindo assento com galinhas, porcos e tudo mais são facilmente recompensadas pelas belas paisagens e pelo incrível cenário da vida selvagem dos seus grandes parques nacionais.

Depois de um mês viajando pelo sul do continente cruzando as fronteiras entre o Moçambique, Zimbábue, Zâmbia e Botswana finalmente chegou o tão esperado momento da minha viagem: de Johanesburgo voei diretamente para Antananarivo, a porta de entrada de Madagascar e capital do país.

Madagascar, um nome que sugere exotismo, é um destino fora da rota turística convencional. Talvez aí o porquê de seu charme e originalidade. Lá parecemos estar parados no tempo tendo uma sensação de imobilismo e tranqüilidade. Por ser tão pouco explorada é um lugar espetacular e apaixonante

É uma ilha de contrastes com lugares mágicos e misteriosos onde redescobrimos as sensações de espaço e liberdade. Dos seus desertos ao sul à suas montanhas, florestas tropicais e praias paradisíacas, um imenso playground com cores tropicais e atmosfera cinematográfica.

Cortada fora do continente africano a milhões de anos Madagascar é uma ilha que por estar geograficamente isolada possui um ecossistema único e frágil com flora e fauna darwinianas. É um importante repositório de biodiversidade com suas arvores gigantes, os Baobabs, e seus simpáticos lêmures, animais ancestrais aos macacos.

A cultura malgaxe é como sua natureza: rica, vibrante e variada. O país foi colonizado durante anos pelos franceses porem conseguiu preservar sua cultura quase que intocavelmente. Seu povo é também em geral muito simpático e amigável.

Cheguei em Tana (abreviação da capital, Antananarivo), uma cidade situada no meio das montanhas no coração da ilha. Construída amontoada em meio a um vale e cheia de ruelas de pedra possui um trânsito caótico infestado de Renault 4, o carrinho simpático que é a paixão nacional. Todos ali falam o malgaxe e o francês então a comunicação não fica muito difícil. Os mercados de rua estão por todos os lados e os perfumes das especiarias, principalmente a vanila (baunilha), deixam a cidade com um aroma muito especial.

As estradas do país são deterioradas pelas chuvas por isso a melhor maneira de se locomover entre longas distancias é de avião. As opções de hospedagem são das mais variadas e vão do rústico ao sofisticado. Para aqueles que buscam sofisticação Madagascar oferece alguns finos resorts e pequenos hotéis de charme podendo-se experimentar as belas paisagens do país com muito estilo e conforto.

Voei até Nosy Be, uma ilha tropical ao noroeste do país envolta por uma barreira de corais e com lindas praias e florestas. Que lugar! Hospedei-me em Ambatoloaka, uma vila de pescadores com uma praia de água azul turquesa de tirar o fôlego.

O hotel Chez Gérard et Francine é sem dúvida a melhor opção: um antigo casarão creolo-francês com uma imensa varanda de madeira e jardim privativo. Todas as nove suítes são de frente para a praia e o serviço impecável: café da manha na sacada do quarto, massagens na praia e demais mordomias. Na hora do almoço pode-se ainda escolher as lagostas e peixes frescos recém pescados diretamente dos barcos de pescadores que serão preparados pelo chef francês do hotel.

As opções de diversão são variadas: de mergulhos submarinos aos passeios pelas praias e ilhas da região como Nosy Tanikely e Nosy Iranja além de visitas aos parques nacionais para ver os lêmures como em Nosy Komba.

Em Nosy Be o aroma das especiarias está sempre presente no ar, seja do perfume da flor de Ylang-Ylang, da vanila, cana-de-açúcar, canela e pimenta seca. Todos os domingos na praia de Andilana, a mais bonita e remota da ilha, as pessoas juntam-se na barraca do Chez Lou Lou (um vietnamita radicado na ilha) para comer o famoso brunch de frutos do mar, all you can eat por apenas 5 euros. Imperdível!

Perto de Nosy Be estão as ilhas paradisíacas de Nosy Iranja de paisagem pitoresca. As duas pequeninas ilhas privadas praticamente desertas são conectadas por um banco de areia branca visível durante a baixa de maré. Ali está situado um dos hotéis mais exclusivos da África, o Iranja Lodge, que oferece muito luxo e privacidade para quem está disposto a pagar mais de 1.000 euros por uma noite. O hotel é construído em madeira e materiais naturais em total harmonia com a natureza. Os dez bangalôs estão dispostos em frente ao mar e oferecem todo o conforto como ar condicionado, telefone via satélite, cd player e demais mordomias. O traslado do aeroporto ao hotel é feito de helicóptero.

Outra opção para quem busca luxo e sofisticação é o Anjajavy l'Hôtel situado em Mahajanga numa península entre praias desertas e florestas tropicais dentro de um parque nacional. Por ser um Relais Chateaux oferece todos os mimos possíveis além de uma culinária pra lá de bacana.

Rumo ao extremo norte de Madagascar cheguei em Diego Suarez, cidade fundada por um antigo navegador português na rota para a Índia. Dizem os locais que a baía de Diego Suarez ou Antsiranana era refúgio de muitos piratas e que alguns deles chegaram a esconder seus tesouros na região. Pode se encontrar ali algumas espécies de Baobabs, a árvore gigante símbolo do país. O Parc National de Montagne d´Ambre na mesma região abriga as mais variadas espécies de lêmures e camaleões e vale uma visita.

Madagascar é um dos paises mais pobres do mundo. O turismo, apesar de ainda muito pouco explorado, vem aos poucos crescendo a cada dia e com isso a esperança do povo malgaxe que depende enormemente das divisas deixadas pelos visitantes. O custo lá é muito baixo: acomodação varia entre 4 e 10 euros para um lugar budget e 60 e 100 euros para um hotel mais confortável (a exceção são três hotéis super luxuosos que custam bem mais que isso). Alimentação varia entre 3 e 10 euros. Euros e dólares americanos são aceitos em praticamente todos os lugares e cartões de crédito em alguns estabelecimentos. A ilha é praticamente segura com algumas exceções em Antananarivo, capital do país, onde se deve ter cautela ao caminhar à noite pelas ruas.

Informações Gerais:

Nome: República de Madagascar (Repoblikan Madagasiraka)

População: 17 milhões

Área: 587.041 Km²

Capital: Antananarivo (Tana)

Idiomas oficiais: Malgaxe e Francês

Religiões: Cristianismo e Islamismo

Moeda: Franco Malgaxe

Indústria: Agricultura

Vistos: obrigatório para todos os visitantes. Os vistos são válidos por até três meses da data de entrada e podem ser comprados no aeroporto de Antananarivo após o desembarque mediante pagamento de taxa + foto 3x4. É necessário também Certificado Internacional de Vacina contra Febre Amarela para brasileiros.

Quando ir: a melhor época para conhecer o país é de Abril a Outubro (inverno do hemisfério sul). Na baixa estação, verão do hemisfério sul (novembro a março), o clima é muito quente e úmido, conhecido também como a estação do furacão e das chuvas.

Como chegar lá: voando Air France ou Air Madagascar a partir de Paris ou voando SAA (South African Airways) + Air Madagascar via Johanesburgo.

Por Raul Frare

Trans-Siberiana




















“Volte em três semanas”. Foram as palavras que escutei, num russo seco e ardido, da oficial da seção consular da Embaixada da Rússia em Ulanbator na Mongólia ao deixar minha documentação e pedido de visto. Pensei arrependido: quem mandou deixar tudo pra ultima hora e não aplicar em casa? O que faria eu em mais três semanas de Mongólia? Em três semanas eu já deveria estar em Moscou...

Para quem não sabe o visto de entrada russo é um dos mais chatos que existe: ultra complicado, ultra burocrático e absurdamente caro. E ainda se você está fora de casa fica tudo dez vezes mais difícil. E multiplique isso por ainda mais dez se você está num país como a Mongólia.

Apesar de aborrecido acabei digerindo bem a idéia. Durante as três semanas de espera estive no deserto de Gobi no sul do país, um lugar fantástico e inexplorado de beleza incrível. Passei pelas estepes centrais onde fiquei hospedado por alguns dias num Ger, uma espécie de cabana onde vivem os nômades da região. Cavalguei durante todos os dias no melhor estilo Gengis Khan, bebi leite de cavalo e comi carne seca de camelo. Mas essa estória deixarei para contar numa próxima matéria.

Com o visto na mão peguei o trem Trans-Mongol em direção a Sibéria. Na saída de Ulanbator, início da viagem, conheci dois ingleses de Manchester que estavam no vagão vizinho e tiveram suas carteiras roubadas ao subir no trem. Na Mongólia também acontecem esses imprevistos!

A viagem até Ulan Ude, capital da República da Buriatya, uma das republicas que formam a Federação Russa, dura mais de 36 horas. A maior parte parado na fronteira, desembaraçando o trem para sair da Mongólia e entrar na Sibéria. Os contrabandistas correm de vagão em vagão temerosos e agoniados escondendo as caixas de mercadorias pelos compartimentos.

Para complicar ainda mais o trem onde me encontrava procedia de Beijing na China, cidade que naquela época padecia de SARS, a mortífera pneumonia asiática. As agentes sanitárias russas, usando luvas e mascaras bem vedadas, tiravam a temperatura de cada passageiro e apresentando-se qualquer sintoma atípico era vedada a entrada no país.

Em Ulan Ude, fiz o registro do meu visto e segui para Irkutsk nas proximidades do Lago Baikal.

O Lago Baikal é bonito demais! Realmente impressionante. Sozinho, possui mais água que todos os grandes lagos americanos juntos. Além de ser o lago mais fundo do mundo, teria a capacidade de abastecer sozinho toda a população terrestre por 40 anos.

Tentei arriscar um mergulho nas suas águas gélidas de 4°C após uns shots de vodka, mas não foi possível.

Em três dias de Baikal deu pra recarregar toda a energia. Fiquei hospedado na casa de uma vovó simpática chamada Valentina. Como o mundo é pequeno: estava eu caminhando às margens do lago, tranqüilo comendo uma truta defumada e buscando lugar para dormir quando encontrei meus amigos ingleses que conheci no trem na saída da Mongólia, os da carteira roubada, e assim acabei na casa onde eles estavam, da vovó Valentina.

Do Lago Baikal peguei um vôo de quatro horas com a Air Vladivostok para a cidade de mesmo nome. Que medo! Voar num Tupolev caindo aos pedaços de 40 anos é uma experiência única que com toda certeza evitarei repetir.

O alivio da chegada em Vladivostok durou pouco. Na porta do avião tive meu passaporte checado pela polícia e em seguida me detiveram, pois esta cidade não constava descrita no meu visto de turista e queriam saber que diabos fazia eu naquele lugar. Será que tenho pinta de espião?

Tentei sem êxito chamar minha embaixada, e após seis horas junto com mais três jornalistas coreanos na mesma situação fomos todos inesperadamente liberados.

No Oceano Pacifico, Vladivostok é a extremidade leste da ferrovia Trans-Siberiana, e no meu caso, o ponto de partida para minha viagem de 9.289 Km até Moscou.

É também uma cidade que sempre me fascinou desde os tempos de War. Um ponto super estratégico muito próximo à Coréia do Norte, China e Japão e sede da frota marinha russa do Pacifico. Durante os anos soviéticos e até poucos anos atrás esta cidade estava proibida para estrangeiros.

Conheci a cidade, bem interessante por sinal, mas meio traumatizado e com um pouco de receio pela situação do meu visto. Finalmente consegui pegar o primeiro trem em direção a Moscou.

Fiz uma parada em Khabarovsk, às margens do Rio Amur na fronteira com a Manchúria. Uma cidade bem agradável e até com duas praias artificiais às
margens do rio.

De Khabarovsk fui a Novosibirsk numa puxada de três dias sem sair do trem. Nesse longo trecho, quase todo dominado pelas florestas de Taiga e pelo Lago Baikal, li "O Idiota" de Dostoievski quase pela metade, comi muita mortadela com pepino, tomei cerveja com meus companheiros de cabine e decorei todo o alfabeto cirílico.

Quando não agüentava mais comer macarrão instantâneo, tomar sopa de pacote e tentar me comunicar em russo sem muito sucesso com meus companheiros de cabine chegamos em Novosibirsk, a grande cidade da Sibéria Central.

Consegui descolar uma cama no disputado hotel da estação de trem, mais difícil que ganhar na loteria segundo o Lonely Planet, e tomar um banho de água quente pela primeira vez em dez dias de Sibéria.

Novosibirsk, as margens do Ob, um dos maiores rios do mundo cujo delta é lá no Ártico, é uma grande cidade, com uma excelente rede de metrô, famosas universidades, teatros e bons restaurantes. Foi também durante os longos anos de comunismo um dos maiores centros de pesquisas dos cientistas da Ex-URSS.

Passei também por Yekaterinburg, cidade natal de Boris Yeltsin, centro industrial e das riquezas naturais dos Montes Urais. Esta cidade é historicamente mais conhecida por ter sido o local onde o czar Nicolai II, sua esposa e crianças foram assassinados pelos Bolcheviques durante a Revolução Russa em 1918.

No dia seguinte embarquei no famoso Rossiya, trem número 01, e após mais algumas sopas de pacote e macarrão instantâneo, cruzando os Urais, saindo da Eurásia e entrando na Europa, cheguei em Moscou na famosa estação Yaroslav: ponto final da minha aventura Trans-Siberiana.

Como foi bom chegar em Moscou depois de dias dentro de um trem! Cosmopolita, agitada e organizada, Moscou oferece inúmeras opções de lazer, gastronomia e cultura. Suas estações de metrô são verdadeiras obras de arte. O teatro Bolshoi é um espetáculo à parte. A arquitetura soviética dos prédios em blocos, sua Praça Vermelha, o sarcófago de Lênin onde é possível vê-lo mumificado, as lojas GUM, e o Kremlin nos dão a certeza que Moscou é uma cidade que não perde em nada para nenhuma outra grande cidade européia.

A ferrovia Trans-Siberiana, uma das maiores maravilhas do mundo moderno, atravessa grandes rios, corta montanhas, florestas densas e vastas estepes cobertas de neve durante a maior parte do ano. Liga os extremos Leste-Oeste do maior país do mundo. O início de sua construção em 1891 foi um grande marco da engenharia e consolidou o vasto território russo. Seus 9.289 Km unindo Moscou ao Oceano Pacífico são percorridos em sete dias de trem, o que fazem dela a mais longa viagem de trem existente percorrendo um terço de nosso planeta.

Por Raul Frare

Uzbequistão












O vôo de Istambul a Tashkent, capital do Uzbequistão, dura pouco menos de cinco horas. A imigração é lenta e extremamente burocrática, um verdadeiro caos. Não existem filas e todos se amontoam desesperadamente para conseguir entrar no país.

O carimbo no passaporte vem com um ar de vitória, mas a confusão não pára por aí, pois ainda tem a alfândega e os malditos taxistas que disputam os turistas a tapas para inconvenientemente tentar extorquir alguns dólares.

Tashkent é uma típica metrópole soviética, meio decadente, porém grandiosa, limpa e organizada. É a quarta maior cidade da ex-URSS, atrás apenas de Moscou, St. Petersburgo e Kiev. Suas estações de metrô são majestosas e foram projetadas para serem abrigos antinucleares. Por motivos de segurança tirar fotos dentro delas é extremamente proibido, uma pena, levando em conta a riqueza dos detalhes e suas ornamentações.

A maneira mais segura e eficiente de viajar pelo país é de táxi. Além de ser muito barato você ainda evita de voar em um dos aviões da antiga frota soviética. Fui a Samarkand descendo o país por um corredor entre o Cazaquistão e Tajikistão.

Quando Alexandre o Grande chegou a Samarkand em 329 BC disse: “Tudo que eu escutei sobre Samarkand é verdade exceto que é ainda mais bonita do que eu imaginava”. Realmente Alexandre tinha razão. Samarkand é a cidade mais gloriosa do Uzbequistão com uma longa e rica história. Durante séculos foi o centro econômico e cultural da Ásia Central. Os minaretes, mosaicos e domos turquesas de seus grandes templos como o “Registan”, suas mesquitas e bazares coloridos dão um tom mágico e especial ao local.

Hospedei-me na Bahodir B&B, uma “guesthouse” simples, mas com um aconchego familiar que poucos hotéis mais caros poderiam oferecer. Conheci ali vários viajantes que estavam viajando da Europa a Ásia por terra. Dentre eles dois londrinos que saíram de carro de Londres e rumavam a Ulanbator na Mongólia, patrocinados e levantando fundos para salvar as crianças da Ásia Central. O site deles é muito interessante: www.drivetomongolia.org

De Samarkand fui para Bukhara. São três horas de viagem cruzando as plantações de algodão e planices desérticas. O Uzbequistão é um dos maiores produtores mundiais de algodão graças ao desvio das águas que alimentam o Mar de Aral que por sua vez fora um dos maiores lagos do mundo e hoje, praticamente seco, gera grandes desastres ambientais.

Bukhara é a cidade mais sagrada da Ásia Central. As ruelas da cidade antiga e suas construções de argila formam grandes labirintos nos dando a impressão de que o lugar não deve ter mudado muito nos últimos séculos. Bukhara é também um grande espetáculo ao vivo com seus vendedores de tapetes, bazares cobertos e “medressas” (escolas que ensinam o Islã) cheias de vida, musicas, aromas e fumaça.

Apesar da população predominantemente muçulmana Bukhara ainda possui um quarteirão judaico datando do século 13. Suas duas sinagogas possuem mais de 200 anos e ainda prestam o “Shabat” em Tajik, o idioma local.

Em mais 6 horas de viagem cheguei a Khiva, uma cidade remota nos confins do Uzbequistão que antes fora centro das caravanas de escravos e crueldade bárbaras. Khiva é protegida por uma grande muralha e diferentemente de outras cidades da Ásia Central está inteiramente preservada. Durante as noites pode-se observar a silhueta da Lua nos minaretes e colunas da cidade, um espetáculo de beleza indescritível.

O Hotel Khiva é a opção mais bacana de hospedagem por termos a oportunidade de nos hospedar numa verdadeira medressa. A antiga construção foi inteira adaptada para se tornar um hotel e os antigos quartos dos alunos que ali viviam para estudar o Islã foram transformados em pequenos quartos de hotel.

Sempre fui fascinado pela Ásia Central, isolada do resto do mundo com sua burocracia pós-soviética e seus desertos, estepes, montanhas e planices infinitas. Rico e milenar, o Uzbequistão é a grande atração dessa região. Suas cidades prosperaram muito durante a Rota da Seda e foram concebidas com uma arquitetura única e fabulosa.

Devido a sua importância foi também o epicentro de guerras e disputas sendo invadido por grandes conquistadores como Jenghiz Khan, Amir Timur, Ciro da Pérsia e Alexandre. Ao visitar o Uzbequistão temos a certeza de que em outros tempos esse não era o fim do mundo, mas sim o centro dele.

Informações Gerais

Nome:
Republica do Uzbequistão

Capital:
Tashkent

Área:
447.400 Km²

População:
25.9 milhões

Idiomas:
Uzbeque (oficial), russo e tajik (em Bukhara e Samarkand).

Religião:
90% muçulmanos sunitas, 10% outras.

Moeda:
Sum.

Vistos de entrada:
Necessário para todos mediante apresentação de carta convite. Não há representação consular no Brasil.

Como chegar lá:
Não há vôos diretos desde o Brasil. A melhor maneira é fazendo escalas em Londres, Paris, ou Istambul.

Frases:
olá = salom aleikum
obrigado = rakhmat

Preços:
Quarto individual em guesthouse com refeição: US$ 10
Refeição simples em restaurante local = US$ 3
Garrafa de cerveja = US$ 2.50
Litro de Água Mineral = US$ 0.40
Litro de Gasolina = US$ 0.25

Por Raul Frare em 21/10/2005



Travel Journal - 7 dias no Tibet - Uma viagem pelo Teto do Mundo












Junho de 2003

De Kathmandu no Nepal à Lhasa no Tibet: 1.500Km de estrada pelo Teto do Mundo

Minha vontade era fazer uma viagem independente ao Tibet, porém ao chegar em Kathmandu fui informado pelo Consulado Chinês que não era mais permitida a entrada de estrangeiros independentes no território tibetano. Fui obrigado a me juntar a um grupo de espanhóis e alemães e então juntos alugamos camionetes 4x4 com motoristas chineses para nos levar até Lhasa.

Cruzamos a "Friendship Bridge" que liga o Nepal ao Tibet à pé, caminhamos com nossas mochilas por 8 km por meio a uma espécie de terra de ninguem, passamos pela imigração chinesa e logo encontramos os nossos motoristas. Éramos um comboio de cinco carros.

Uma semana antes da viagem passei em repouso me recuperando de uma intoxicação alimentar (adquirida na Índia) no quarto de uma guesthouse “trash” na Thamel em Kathmandu que parecia mais um inferno. Febre alta, câimbras, dores e muito suor. E para complicar anda mais estávamos no meio de uma epidemia de SARS. Se eu resolvesse pedir ajuda médica correria o risco de me colocarem em quarentena dentro de um hospital.

Eu ainda não estava 100% recuperado, mas mesmo assim decidi seguir viagem para o Tibet. Foi apenas eu pisar em território tibetano que me deu a maior dor de barriga e quanto mais alto subiamos menor era a pressão atmosférica lá fora e maior a pressão dentro das minhas tripas. Tive a sensação de ter um bote inflável explodindo dentro do meu estômago. Sem dúvida uma experiência para não esquecer nunca mais.

Muitas curvas montanhas acima, precipícios, desfiladeiros, tempestades de neve e muitos yaks, uma espécie de vaca peluda que vive nas montanhas gélidas. Aos poucos fomos cruzando os Himalayas e logo alcançamos o planalto tibetano. A escassez de oxigênio se nota já de primeira e o cansaço e tontura são imediatos.

A altura média do planalto tibetano é de 5.000m acima do nível do mar. Impressionante é olhar pra trás e ver a cadeia dos Himalayas lá
de cima. Uma falsa impressão, as montanhas não parecem altas pois como já estamos a 4.000-5.500m de altura tem apenas mais 4.000m de montanha acima de nós.

A viagem até Lhasa leva 5 dias e passamos por todos os tipos de paisagens. De cenários polares nos 5.500m durante os passes mais altos a desertos com tempestades de areia e pradarias verdes com manadas de yaks.

Cruzamos os pequenos vilarejos no interior do Tibet: Shigatse, Lhotse e Wantse e visitamos seus monastérios budistas. Impressionante sua paz e espiritualidade. Logo percebemos que realmente o Tibet está em outra dimensão num outro mundo talves esquecido por nós.

A viagem teria sido perfeita não fosse um acidente ocorrido no ultimo dia de estrada antes de chegar a Lhasa. Um dos nossos 4x4 com os companheiros alemães despencou precipício abaixo. Foi muito triste passar ao lado do acidente e ver seus corpos enfileirados à beira da estrada. Podíamos ver suas mochilas e roupas espalhadas ao longo do penhasco. Mais forte ainda pensar que dias antes havíamos jantados todos juntos na mesma mesa...e ainda pior...aquele carro acidentado poderia ter sido o meu.

Finalmente após 1.500Km de chão chegamos em Lhasa. Uma grande decepção. Mais parece uma grande cidade chinesa de concreto com prédios modernos, hotéis de cadeias internacionais, cyber cafés, freeways e favelas. Uma imagem completamente oposta a que eu tinha imaginado antes de chegar lá. Tudo isso culpa de Mao Tse Tung e do governo chinês que promoveu uma imigração em massa de chineses ao Tibet para poderem obter o controle da região. Com isso a cultura tibetana foi praticamente destruída. O verdadeiro Tibet existe “ainda” apenas nos pequenos povoados no interior do país.

Impressiona também o retorno de avião para Kathmandu onde o avião passa literalmente o lado do cume do Mt. Everest a 8.848m de altura. È possível notar a cor azul escura do céu a sua volta e o cume piramidal da montanha.

Esta é uma viagem muito árdua e complexa devido às condições físicas e naturais do terreno: altitudes elevadas, grandes variações de temperatura e ar quase que rarefeito. Devido ao degelo da neve no verão as estradas são muito ruins. Driblar os trâmites burocráticos do governo chinês não é uma tarefa fácil também.

Quem sabe algum dia os chineses desocupem essa região e assim o Dalai Lama e os milhares de refugiados tibetanos possam voltar a viver tranqüilos em seu lar.

Por Raul Frare

San Pedro de Atacama

Com o inicio do verão no hemisfério Sul começam também as chuvas torrenciais na Bacia Amazônica, umidade suficiente para atravessar os Andes até chegar ao Altiplano, se transformando num fenômeno chamado Inverno Boliviano. Com a umidade a paisagem do deserto se transforma e as montanhas embranquecem de neve formando um belo cartão postal. San Pedro de Atacama é um charmoso oasis situado aos pés do Altiplano e serve de base para as incríveis explorações da região. Onde se hospedar: Hotel Explora - boa estrutura, bons guias e boa gastronomia. Hotel Awasi – pequeno e charmoso. Tierra Atacama – design, um dos mais novos de San Pedro. Passeios: caminhadas, bicicleta ou cavalgadas pelo Vale da Lua e Vale da Morte. Subir a quase 5.000m no Altiplano para ver os Gêiseres del Tatio. Ver os flamingos no Salar de Atacama. Tour das Estrelas: o Atacama é um dos lugares mais secos do mundo e ideal para a astronomia e observação dos corpos celestes. Para chegar em San Pedro você precisa voar até Calama, ao norte do Chile, via Santiago.